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12/07/16

French Toast de Camembert, Mirtilo e Nectarina em calda








































A nectarina está no grupo dos meus frutos de eleição. Quando era miúda, por aqui, apenas tinhamos pêssegos, e recordo que adorava o seu sabor mas tinha de os esfregar muito bem até perderem aquele pelinho para os conseguir comer como gostava.

A partir do momento que conheci os belos pêssegos carecas, mais tarde chamados de nectarina, acho que quase nunca mais toquei num pêssego peludo! 
Não são iguais. Na realidade, o pêssego é mais sumarento e, normalmente, mais doce que a necatrina. É também menos firme e mais bonito na cor da polpa. O que não aprecio mesmo é o pêlo, e confesso que adoro a firmeza da nectarina. 

Quando vi o tema do mês de Julho da Marta, comecei logo a pensar em algumas propostas com pêssego/nectarina e admito que esta não estava no topo da lista. Simplesmente, num vipe, apeteceu fazê-la para sobremesa, ainda que seja um prato habitualmente consumido ao pequeno-almoço. 
Basicamente é uma versão bem incrementada da nossa rabanada. Neste caso é recheada e vai ao forno.

Sou declaradamente fã de sobremesas com pão e neste contexto, em que o queijo é parte essencial, melhor ainda.
O contraste da intensidade do camembert com a doçura da nectarina em calda, ao que ainda acrescenta aquele toque mais ácido do mirtilo, criou aqui uma proposta divinalmente boa. 
Tenho pena que o iogurte tenha impossibilidade uma boa visualização do interior das tostas, que estava francamente delicioso. 

Estes doces primos, o pêssego e a nectarina, são frutos de Verão dos mais apreciados, cheios de boas propriedades e grande versatilidade, prestando-se a alguma diversidade de pratos. 
Sabe tão bem simplesmente agarra-los e comê-los à dentada, como devidamente envolvidos num bom docinho.
São ingredientes que transpiram Verão e acredito nos tragam excelentes recordações.







































FRENCH TOAST DE CAMEMBERT, MIRTILO E NECTARINA EM CALDA

Ingredientes
(2 tostas)

4 fatias de pão de brioche
6-8 fatias de queijo camembert
15-20 mirtilos
1 ovo, grande
1/2 chávena (chá) de bebida de sabor a baunilha
1/2 colher (sopa) de mel
1 pitadinha de noz moscada
1 pitadinha de canela
Manteiga qb
Açúcar demerara qb
8-10 pedaços de nectarina em calda* 
1 iogurte grego (espesso)

Preparação

*Para fazer as nectarinas em calda adaptei esta receita:
Levar ao lume 1 chávena (chá) de água com 1/2 chávena de açúcar, um pau de canela e 3 bagas de cardamomo. Deixar ferver até o açúcar diluir totalmente e juntar 3 nectarinas grandes cortadas em quartos. Deixar cozinhar cerca de 5 minutos e retirar as nectarinas para um recipiente hermético. Deixar a calda ao lume até reduzir para metade da quantidade e engrossar. Retirar do lume, deixar arrefecer e juntar às nectarinas. Fechar o recipiente e conservar.
Pré-aquecer o forno a 180ºC. Colocar uma folha de papel vegetal sobre um tabuleiro de forno. Reservar.
Bater o ovo e juntar a bebida de sabor a baunilha, o mel, a canela e a noz moscada e mexer bem. Colocar num prato com alguma profundidade e reservar.
Para as french toasts, colocar o camembert sobre duas das fatias de brioche. Por cima do queijo espalhar 5 a 6 mirtilos em cada fatia, e colocar por cima a segunda fatia, formando assim a sanduiche. Embeber uma sanduiche no preparado do ovo e deixar estar 2-3 minutos. Vira-la e fazer o mesmo com a outra parte, de forma a que ambos os lados absorvam bem o liquido. Repetir com a segunda tosta.
Colocar as tostas, cuidadosamente, no tabuleiro e polvilhar generosamente com açúcar demerara. Levar ao forno cerca de 12-15 minutos, até o brioche estar douradinho e o queijo derretido no interior. Um minuto antes de retirar do forno colocar uma pequena noz de manteiga por cima de cada tosta e deixar derreter. 
Retirar do forno e colocar no prato de servir. Quando estiver mais morno, colocar uma colherada de iogurte grego por cima e dispor nectarina em calda a gosto. Servir com mais mirtilos.



11/05/16

Pudim de Brioche e Frutos Vermelhos com Curd de Laranja




Já começa a ser familiar para quem por cá passa que os pudins de pão são realmente um paixão. E não só de pão desde que comecei a explorar versões com brioche, dado que é uma massa que gosto muito e faz com que se tenha de adoçar menos o preparado. O que acaba por ser uma clara mais-valia. 

Lembro-me que a primeira vez que fiz um pudim de pão era bem miúda e foi pelo Natal. O Avô Serra adorava e era dos poucos doces que a minha mãe fazia. No entanto não era reproduzido muitas vezes.
Ainda que se distancie consideravelmente destas versões mais inteiras e texturadas, considerando que era passado e ficava bem uniforme, já na altura lhe achei piada.

Contudo, em formatos mais personalizados e recheados acho que ganham outra vida e muito mais interesse. Não será por acaso que algumas culturas tem na sua doçaria tradicional este doce, com as devidas adaptações e apropriações, naturalmente. 
No México temos a Capirotada, no Egipto o Umm Ali, na Grã-Bertanha e em algumas zonas da América vários e fantásticos Bread Puddings, demonstrando o potencial e versatilidade deste alimento-base de qualquer civilização. Muitas vezes em resultado do aproveitamento de restos de pão seco.  

Nesta proposta fiz isso mesmo, aproveitei uns pãezinhos de brioche que já estavam passados e dificilmente seriam consumidos no seu estado natural, e dei forma a esta bonita sobremesa, cheia de vida, textura, muita cor e sabor.
Os sabores dos ingredientes do preparado que humedece o pão dão o tom base à sobremesa, e os frutos vermelhos criam os apontamentos mais vibrantes. 
O toque do curd de laranja que também estava no frigorífico a pedir para ser usado enriqueceu ainda mais o doce.

Admiro a simplicidade e versatilidade desta sobremesa com raízes tão fortes como díspares, sendo, seguramente, um campo que não deixarei de desbravar.
Podemos usar fruta natural, compotas, frutos secos, especiarias, licores, chocolate. O que mais e bem nos apetecer. O resultado? Esse é sempre rico e único.

Ainda que o morango surja aqui bem integrado e mesclado nos outros ingredientes, tem um papel essencial, e com esta proposta respondo ao convite da Marta, para fazer parte da sua linda mesa de Maio, onde este vermelhinho e delicioso fruto é rei. 







































PUDIM DE BRIOCHE E FRUTOS VERMELHOS COM CURD DE LARANJA

Ingredientes
(4-6 doses)

|Pudim
3-4 pãezinhos de brioche
Manteiga qb
3 ovos
3 colheres sopa de mel de flor de laranjeira
100 ml de bebida com sabor a baunilha
50 ml de creme de soja
1 pitada de gengibre
1 colher (sobremesa) de extracto de baunilha
8-10 morangos
6-8 framboesas
Amêndoa laminada

|Curd de laranja (adaptada daqui)  
20 ml de limão
80 ml de sumo de laranja
3 ovos 
120 gr de açúcar 
50 gr de manteiga à temperatura ambiente

Preparação

Começar por fazer o curd (com pelo menos 1/2 dia de antecedência)
Levar ao lume, em banho maria, os ovos bem misturados com o açúcar e os sumos de laranja e limão. Mexer sempre para não ganhar grumos, até engrossar. Demora cerca de 8-10 minutos. 

Retirar do lume e incorporar a manteiga em pedaços. Mexer até a manteiga estar bem derretida e envolvida no creme.
Colocar em frascos esterilizados, fechar bem e deixar arrefecer com a tampa virada para baixo. Refrigerar. Dura cerca de 15 dias no frigorífico.
Pré-aquecer o forno a 190ºC.
Untar com manteiga um recipiente cerâmico de ir ao forno. Reservar.
Cortar os pãezinhos em fatias e colocar no forno para que tostem um pouco. Retirar do forno e barrar com manteiga de um dos lados.
Juntar várias fatias para voltar a formar um pão e colocar dentro da forma, encaixando uns nos outros.
Cortar os morangos às fatias finas e coloca-las entre as fatias de pão. Espalhar framboesas pelo pão.
Bater os ovos e juntar o mel, a bebida com sabor a baunilha, o creme de soja e uma pitada de gengibre e bater bem.
Verter o liquido no recipiente já com o brioche e deixar absorver cerca de 2 horas. (Este deixei durante toda a noite e resultou bem). 
Polvilhar com amêndoa laminada e levar ao forno, cerca de 30 minutos, até o liquido ter desaparecido e a massa estar bem firme e cozida. Se o pão começar a tostar demasiado proteger com papel de alumínio.
Retirar do forno, deixar arrefecer cerca de 15-20 minutos, polvilhar com açúcar em pó, decorar com framboesas, morangos e hortelã.
Servir morno acompanhado com curd de laranja.










































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02/12/15

Arroz Doce Especial




Esta ideia, cada vez mais facto, de que o açúcar é veneno, no sentido em que se mostra totalmente vazio sob o ponto de vista nutricional, mas principalmente tóxico para o nosso organismo, tem ganho uma importância cada vez mais proeminente na minha cabeça.

Há muito que leio sobre, e há algum tempo que comecei a procurar alternativas ao seu uso. Não consegui, ainda, suprimi-lo em absoluto da minha alimentação. Não sou adepta de extremismos e sei que não sou obrigada a fazê-lo, mas sinto que devia e, sinceramente, gostava muito.

Tenho tentado compatibilizar a paixão por fazer bolos, doces e experimentar receitas novas, com esta vontade de excluir o açúcar cá de casa (e aqui a coisa começa a complicar-se!). 
Sei que em algumas receitas é impossível. Quanto muito faço o que sempre fiz, corto imenso às quantidades indicadas. Mas para conseguir chegar a uma solução doce bem sucedida, sem recurso a refinados, recorro frequentemente às geleias e xaropes naturais - agave, ácer, cevada, etc.
Há muito a ideia que certos doces sem açúcar simplesmente não funcionam, perdem a sua natureza e passam a ser outra coisa qualquer. Consigo concordar, mas também acho que, em algumas situações, é uma questão de habituação do nosso palato a essa nova roupagem, que, não tendo eventualmente a textura e o sabor exactamente iguais ao que estamos habituados, pode ser igualmente deliciosos.

Para esta receita, que teria de estar associada ao Natal, criada no âmbito da parceria com o site Nutrição Feminina, diz-me a Dra. Carla: "Consegues adoçar sem recurso a xaropes ou geleias? Simplesmente com fruta, por exemplo?".
Claro que a resposta foi positiva. Para um bom resultado o desafio seria maior, o que adoro, mas teria de ser igual e certamente funcional.

Bom, a reinterpretação deste doce tão típico da mesa portuguesa, anulou completamente o açúcar de qualquer tipo, mel ou xaropes naturais, assim como o glúten. Contou com a inclusão das tâmaras, do puré de maçã e das especiarias, para obter os mesmos efeitos de sabor e textura. E acreditem que ficou bem docinho e extra cremoso.

Para quem pretender abusar menos um bocadinho nesta quadra que se aproxima, ou mesmo para os que conseguem portar-se bem todo o ano, fica esta alternativa, do mais delicioso que há, para o tradicional Arroz Doce.







































ARROZ DOCE ESPECIAL

Ingredientes
(4-6 doses)

150 gr de arroz para arroz doce
600 ml de bebida com sabor a baunilha (usei Shoyce)
2 maças, grandes, maduras e pouco ácidas
8 tâmaras secas
Água
4 raspas de limão
1 pau de canela
1 pitada de sal
2 gemas
1/2 colher (café) de canela
1/2 colher (café) de erva doce
1/4 de colher (café) de gengibre

Preparação

Começar por retirar os caroços das tâmaras, corta-las em quartos e coloca-las de molho num pouco de água. Deixar repousar cerca de 1,30h.
Descascar e descaroçar as maçãs, cortar em pedaços e levar ao lume a cozer em cerca de 150 ml de água e uma pitada de canela. Quando estiverem moles retirar da água (coar e reservar esta água!) e reservar.
Num tacho médio colocar a bebida com sabor a baunilha, o pau de canela e as raspas de limão. Quando estiver bem quente juntar o arroz, mexer e reduzir o lume para o mínimo. 
Entretanto juntar num processador de alimentos ou trituradora, o puré de maça e as tâmaras. Triturar durante cerca de 5 minutos até se obter um preparado bem cremoso e homogéneo. Se necessário triturar um pouco mais.
Deixar o arroz cozer cerca de 15 minutos, sempre no mínimo e mexendo para não agarrar, e acrescentar a água de cozedura da maçã.
Deixar cozer mais 10 minutos e verificar se o arroz já se encontra quase no ponto. Acrescentar o puré de maçã, a canela, a erva doce e o gengibre e envolver bem e deixar cozinhar mais 1-2 minutos.
Retirar do lume, juntar uma colher de arroz às gemas e mexer energicamente. Juntar as gemas ao arroz, no tacho, e envolver bem. Levar novamente ao lume até quase começar a ferver e retirar.
Verter num prato/travessa de servir, deixar arrefecer um pouco, polvilhar com especiarias a gosto e servir. 
Sugestão: Decorar com gomos de maçã caramelizada.
  
Nota: Para uma opção vegan, as gemas podem ser substituídas por uma colher de sopa de amido de milho, diluída num pouco de água.
Nota 1: Para conferir um toque mais amarelinho pode juntar-se ao amido uma pitada de açafrão.