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28/11/16

Trufas de Alperce, Gengibre e Caju










































É mais do que sabido que esta maravilhosa experiência de ter filhos nos faz colocar várias áreas e assuntos do nosso dia a dia em perspectiva.
Passamos a fazer coisas que nunca imaginamos. Toleramos situações outrora impensáveis (e até gostamos!). Damos por nós a estruturar uma série de itens em função dos pequenos seres que nos regem a partir do momento em que nascem.
Aplicando-se a temas tão diversos como o lazer, o trabalho ou a comida, isto não tem de ser necessariamente mau, antes pelo contrário. 
E é principalmente no que diz respeito ao separador "comida" que eu mais batalho. Sem radicalismos mas com perseverança. 

Este ano a Popota, a melhor hipopotama dançarina que conheço, e que o miúdo acha super "gila" desde que a viu ao "bibu", mostra no seu vídeo de Natal um resumo da sua história e crescimento. Não deixando esquecer a impressionante e dorida rapidez com que os miúdos nos fogem do colo.  





Ao visualiza-lo relembrei que o essencial continua a ser estarmos lá, sempre o mais presentes possível, durante todo o processo. Não desistir só porque eles resistem e voltam a resistir. 
Aplicando-se isto à alimentação, é certo que as crianças não vão gostar sempre do que lhe damos, mas facilita muito ambienta-las desde cedo com o que queremos que elas comam. Isto é, quanto a mim, crucial para que percebam a importância de uma alimentação equilibrada.

E, se não desistirmos, quando menos esperamos somos surpreendidos.
Se dificilmente pensaria que o meu filho de 4 anos se ia apaixonar perdidamente por umas bolinhas energéticas do Mr. Jamie, muito menos podia imaginar que passassem a ser sugeridas, pelo próprio, para compor todos os lanches escolares.
Claro que me agrada conseguir ir levando as coisas no sentido de lhe fornecer opções mais saudáveis. Ainda que não saiba até quando, quero acreditar que a permanência dessas opções na vida dele o farão ter uma adequada consciência alimentar no futuro.

Partilho esta sugestão do livro "Receitas Saudáveis", do Jamie Oliver, que, de forma totalmente inesperada, encantou o meu filho. 
E como nunca se sabe quantas mais crianças poderá encantar, nada como experimentarem numa próxima lancheira.







































TRUFAS DE ALPERCE, GENGIBRE E CAJU
(Receita do livro "Receitas Saudáveis", do Jamie Oliver)

Ingredientes
(10-12 trufas)

100 gr de caju (sem sal)
20 gr de sementes de sésamo
80 gr de alperces secos
20 gr de arroz tufado integral
1 pedaço de gengibre fresco (uso cerca de 2 cm)
1/2 colher (chá) de especiarias (usei canela e erva doce)
Raspa de laranja 
1 colher (sopa) de mel  

Preparação 

Levar os cajus e as sementes de sesamo a torrar ligeiramente numa frigideira antiaderente, até estarem ligeiramente dourados. Reservar.
Levar a triturar cerca de 30-40 gr de cajus até ficarem em pó e reservar num prato.
Colocar na trituradora/processador os restantes cajus, as sementes de sésamo, os alperces e o arroz tufado. Triturar bem até obter uma mistura fina.
Descascar o gengibre, ralar e adicionar, juntamente com as especiarias e a raspa de laranja. Triturar novamente e por fim juntar o mel. Voltar a triturar até a massa começar a ficar mais agarrada. Pode demorar um pouco mas fica.
De seguida, com as mãos húmidas, formar bolinhas/trufas do tamanho desejado, passando-as de seguida pelo cajú em pó.
Conservam-se 2 semanas em recipiente hermético.   

Nota: em relação à receita original apenas acrescentei a raspa de laranja e reduzi a quantidade de mel e de gengibre.
Nota 1: é uma massa bem granulada e textura, de aroma e sabor intenso. 



02/12/15

Arroz Doce Especial




Esta ideia, cada vez mais facto, de que o açúcar é veneno, no sentido em que se mostra totalmente vazio sob o ponto de vista nutricional, mas principalmente tóxico para o nosso organismo, tem ganho uma importância cada vez mais proeminente na minha cabeça.

Há muito que leio sobre, e há algum tempo que comecei a procurar alternativas ao seu uso. Não consegui, ainda, suprimi-lo em absoluto da minha alimentação. Não sou adepta de extremismos e sei que não sou obrigada a fazê-lo, mas sinto que devia e, sinceramente, gostava muito.

Tenho tentado compatibilizar a paixão por fazer bolos, doces e experimentar receitas novas, com esta vontade de excluir o açúcar cá de casa (e aqui a coisa começa a complicar-se!). 
Sei que em algumas receitas é impossível. Quanto muito faço o que sempre fiz, corto imenso às quantidades indicadas. Mas para conseguir chegar a uma solução doce bem sucedida, sem recurso a refinados, recorro frequentemente às geleias e xaropes naturais - agave, ácer, cevada, etc.
Há muito a ideia que certos doces sem açúcar simplesmente não funcionam, perdem a sua natureza e passam a ser outra coisa qualquer. Consigo concordar, mas também acho que, em algumas situações, é uma questão de habituação do nosso palato a essa nova roupagem, que, não tendo eventualmente a textura e o sabor exactamente iguais ao que estamos habituados, pode ser igualmente deliciosos.

Para esta receita, que teria de estar associada ao Natal, criada no âmbito da parceria com o site Nutrição Feminina, diz-me a Dra. Carla: "Consegues adoçar sem recurso a xaropes ou geleias? Simplesmente com fruta, por exemplo?".
Claro que a resposta foi positiva. Para um bom resultado o desafio seria maior, o que adoro, mas teria de ser igual e certamente funcional.

Bom, a reinterpretação deste doce tão típico da mesa portuguesa, anulou completamente o açúcar de qualquer tipo, mel ou xaropes naturais, assim como o glúten. Contou com a inclusão das tâmaras, do puré de maçã e das especiarias, para obter os mesmos efeitos de sabor e textura. E acreditem que ficou bem docinho e extra cremoso.

Para quem pretender abusar menos um bocadinho nesta quadra que se aproxima, ou mesmo para os que conseguem portar-se bem todo o ano, fica esta alternativa, do mais delicioso que há, para o tradicional Arroz Doce.







































ARROZ DOCE ESPECIAL

Ingredientes
(4-6 doses)

150 gr de arroz para arroz doce
600 ml de bebida com sabor a baunilha (usei Shoyce)
2 maças, grandes, maduras e pouco ácidas
8 tâmaras secas
Água
4 raspas de limão
1 pau de canela
1 pitada de sal
2 gemas
1/2 colher (café) de canela
1/2 colher (café) de erva doce
1/4 de colher (café) de gengibre

Preparação

Começar por retirar os caroços das tâmaras, corta-las em quartos e coloca-las de molho num pouco de água. Deixar repousar cerca de 1,30h.
Descascar e descaroçar as maçãs, cortar em pedaços e levar ao lume a cozer em cerca de 150 ml de água e uma pitada de canela. Quando estiverem moles retirar da água (coar e reservar esta água!) e reservar.
Num tacho médio colocar a bebida com sabor a baunilha, o pau de canela e as raspas de limão. Quando estiver bem quente juntar o arroz, mexer e reduzir o lume para o mínimo. 
Entretanto juntar num processador de alimentos ou trituradora, o puré de maça e as tâmaras. Triturar durante cerca de 5 minutos até se obter um preparado bem cremoso e homogéneo. Se necessário triturar um pouco mais.
Deixar o arroz cozer cerca de 15 minutos, sempre no mínimo e mexendo para não agarrar, e acrescentar a água de cozedura da maçã.
Deixar cozer mais 10 minutos e verificar se o arroz já se encontra quase no ponto. Acrescentar o puré de maçã, a canela, a erva doce e o gengibre e envolver bem e deixar cozinhar mais 1-2 minutos.
Retirar do lume, juntar uma colher de arroz às gemas e mexer energicamente. Juntar as gemas ao arroz, no tacho, e envolver bem. Levar novamente ao lume até quase começar a ferver e retirar.
Verter num prato/travessa de servir, deixar arrefecer um pouco, polvilhar com especiarias a gosto e servir. 
Sugestão: Decorar com gomos de maçã caramelizada.
  
Nota: Para uma opção vegan, as gemas podem ser substituídas por uma colher de sopa de amido de milho, diluída num pouco de água.
Nota 1: Para conferir um toque mais amarelinho pode juntar-se ao amido uma pitada de açafrão.