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23/11/15

Panforte




Conheci esta receita num livro de sobremesas, que faz parte de uma das imensas coleções, bem antigas, que por aqui andam, com a denominação de Bolo Siena.
Chamou-me a atenção pela profusão de frutos secos, devidamente envolvidos numa interessante massa de chocolate. Ao ler os ingredientes e modo de confeção verifico que terá textura densa como gosto.
Começo a pesquisar, e em vários locais encontro um segundo nome para a mesma receita. Ora trata-se de um doce típico da zona de Siena, Itália, de origem conventual, mais vulgarmente denominado de Panforte.
É uma iguaria que marca presença nas mesas italianas não só pela altura do Natal, apesar de se adaptar lindamente à quadra, mas durante todo o ano, como bom doce típico que é.
Verifica-se que os frutos cristalizados e bastantes especiarias, nomeadamente, noz moscada, pimenta da Jamaica ou sementes de coentros, enriquecem este bolo nas suas versões mais antigas e, naturalmente, mais próximas da original.

Entendi que o mel poderia desempenhar suficientemente bem o papel de adoçante e resolvi suprimir o açúcar da calda, incluindo em alternativa um pouco de xarope de ácer. Suprimi também o toque cítrico dado pelas cascas de laranja e limão, que numa próxima repetição da receita (que haverá!) irei experimentar. Respeitando os ingredientes das versões originais garante-se também a sua durabilidade, pois é um bolo que aguenta bem vários dias em bom estado, desde que protegido em ambiente hermético.

O resultado acabou por ser menos denso e húmido do que esperava, claramente devido à ausência da caramelização do açúcar, mas ainda assim muito bom. Não deixa de ser um tipo de bolo que adoro, quanto mais não seja pela sua intensidade e pela carga de avelãs e amêndoas que suporta.

Numa versão mais saudável, fiquem com este delicioso e bem recheado "Pão Forte", que, com as devidas diferenças, encaixa perfeitamente numa mesa de natal a surpreender os não apreciadores de bolo rei.







































PANFORTE ou BOLO SIENA
(Receita adaptada do Bolo Siena, Livro "Sobremesas", Coleção "Boa Mesa" - Caras Especial)

Ingredientes
(10-12 fatias)

125 gr de amêndoa, inteira (mantive a pele)
125 gr de avelã, inteira
5-7 damascos, secos
80 gr de farinha
2 colheres (sopa) de cacau em pó
1 colher (chá) de canela em pó
80 gr de chocolate de culinária (70% de cacau)
1/4 de chávena (chá) de água
1/2 de chávena (chá) de mel
1/4 de chávena (chá) de xarope de ácer
Açúcar em pó

Preparação

Pré-aquecer o forno a 160ºC. Untar com manteiga e forrar com papel vegetal uma forma redonda de 20 cm de diâmetro.
Cortar as amêndoas em pedaços grandes e levar ao forno a torrar ligeiramente durante 10 minutos, num tabuleiro na parte baixa do forno.
Levar as avelãs ao forno cerca de 15 minutos, até a pele se soltar. Retirar do forno, coloca-las num pano, fechar bem e esfregar até a pele se soltar o mais possível. Partir grosseiramente as avelãs.
Cortar o chocolate em pedaços. Reservar.
Numa taça juntar a farinha, o cacau e a canela. Misturar as amêndoas, as avelãs, o chocolate e os damascos picados.
Levar a lume brando a água, o mel e o xarope de ácer. Aumentar o lume e deixar ferver, mexendo sempre. Manter em ebulição até alourar ligeiramente.
Misturar o chocolate e a calda com a farinha, e mexer até obter uma massa homogénea.
Verter a massa na forma (usar as costas de uma colher húmida para alisar a superfície, se for necessário). Levar ao forno cerca de 30-35 minutos, até estar firme e cozido. Verificar com um palito no centro do bolo e retirar do forno. Deixar arrefecer na forma.
Depois de frio desenformar e polvilhar com açúcar em pó. Partir em fatias e servir.

Nota: Pretendendo ser fiel à versão original, deve-se trocar os damascos por 1/2 chávena de raspas finas de laranja e limão, assim como o xarope de ácer por igual quantidade de açúcar.



01/11/15

Mousse de Castanha, Chocolate e Cardamomo

 

 
Um exemplo perfeito do típico "fruto da época" é a castanha. Um fruto de características muito particulares, que raramente se come crú (apesar de ser delicioso desta forma) porque é realmente muito chato de descascar, tem uma densidade e sabor únicos e dá origem a ótimos pratos, tanto doces como salgados.
É um fruto versátil e muito bonito dentro do seu ouriço. Visita-nos todos os Outonos e tem direito a um evento onde é a personagem principal, o reconfortante Magusto.
 
Foi durante muito tempo peça central da alimentação das povoações mais rurais, e curiosamente também dos seus animais.
A sua abundância, qualidade e poder saciante eram bem aproveitados, e antes da batata chegar à europa, a castanha teve um papel crucial na mesa portuguesa.
 
Esta edição do "Dia Um... Na Cozinha!" convidou à execução de uma Iguaria com Castanhas.
Confesso que as uso muito mais em pratos salgados ou simplesmente assadas. Também já as utilizei em bolo, mas para este desafio apeteceu-me um doce, bem indulgente e cremoso. Algo mais aconchegante para estes dias já bem escurinhos.
Surgiu então a vontade de uma mousse. A associação ao chocolate foi quase imediata e o toque do cardamomo caiu que nem uma luva, conferindo um interessante aroma exótico, algo cítrico até.
A sua textura é bem cremosa, com grande densidade, e o seu sabor uma verdadeira delícia ali situada entre o doce suave e o exótico, transmitindo sensações quentes. Não se assemelha à tradicional mousse e é ideal para paladares eventualmente mais ousados. 
 
Por motivos evidentes também não ficaria mal chamar-lhe "Mousse 3 Cs". Afinal são as iniciais destes ingredientes que combinam tao bem quanto sabem. Se isolados são ótimos, juntos ficaram perfeitos e o meu palato agradeceu imensamente.

Sai um copinho para S. Martinho!
 
  

 
MOUSSE DE CASTANHA, CHOCOLATE E CARDAMOMO

Ingredientes
(4 copinhos)

250 gr de castanha
4 colheres (sopa) xarope de ácer
1 colher (sopa) de cacau
100 gr de chocolate de culinária (70% de cacau)
120 ml de natas ligeiras
7-8 bagas de cardamomo
3 claras, grandes
1 pitada de sal fino
Lascas de côco torrado e amêndoa inteira para decorar

Preparação

Cozer as castanhas em água temperada com um pouco de sal. Quando cozidas descascar ainda quentes. Deixar arrefecer um pouco, acrescentar o xarope de ácer e o cacau e triturar num processador até ficarem bem desfeitas, numa espécie de pasta. Reservar.
Levar as bagas de cardamomo a tostarem no forno ou num tachinho em lume brando. De seguida abri-las, retirar as sementes e desfaze-las muito bem num almofariz até reduzirem a pó. Se persistirem pedaços maiores, passar por um coador e aproveitar apenas o pó mais fino. Reservar. 
Cortar ou triturar o chocolate em pedaços pequenos. Levar as natas a lume brando e aquecer, sem deixar ferver. Retirar do lume e verter sobre o chocolate em pedaços. Deixar repousar 1 minuto e de seguida mexer bem, até se obter um preparado cremoso, com o chocolate totalmente derretido e envolvido nas natas. 
Juntar o chocolate à pasta de castanhas, acrescentar o cardamomo e triturar um pouco mais até estar tudo bem envolvido, num creme homogéneo.
Bater as claras em castelo com uma pitadinha de sal, e envolver cuidadosamente no preparado anterior, com uma espátula. 
Colocar a mousse em copos ou tacinhas e levar ao frio.
Laminar a amêndoa com pele e levar a alourar num tachinho com umas gotinhas de azeite. Deixar tostar ligeiramente, retirar e deixar arrefecer.
Antes de servir decorar com as lascas de côco, a amêndoa e umas gotas de xarope de ácer.