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01/07/16

Salada Caribeña Gelada







"O Verão no prato". Este podia muito bem ser o nome da receita que se segue, tal é a cor, frescura e ambiente iluminado que reproduz.
Os sabores são os desta estação que cada vez mais nos prega partidas e nos deixa na incógnita se amanhã iremos encontrar um calor abrasador ou uma chuvinha irritante.
Por sorte fiz esta saladinha especial no fim de semana prolongado das festividades do S. João e pude disfruta-la debaixo de um calorzinho daqueles de derreter. 







































Sabe bem voltar a participar no desafio do "Dia Um... Na Cozinha" com uma receita tão deliciosa e refrescante.
Assim que vi o tema, Couscous, fiquei animada. A verdade é que adoro este ingrediente, ainda que não o cozinhe tanto quanto gostaria. Imediatamente me surgiu a vontade de executar algo bem fresco e diferente de onde o costumo usar. 

Recordo sempre que o provei pela primeira primeira vez há uns anos largos na Tunísia, onde nunca podia faltar couscous à mesa, em qualquer sítio. Sendo um alimento originário e com grande uso no norte de África, é servido como acompanhamento básico e essencial que combina com quase todos os pratos.
Dada a simplicidade e rapidez de execução, e a forma como facilmente se aromatiza com os mais distintos sabores, manifesta um potencial que merecia uma expressão maior na nossa alimentação. Curiosamente algo que, conta a história, já aconteceu.

Guardo esta receita como referência, pela delícia que é, recordando-me obrigatoriamente dela sempre que falo em couscous. É excelente e o engraçado é que também foi feita para este mesmo desafio. 
Quando recebi o livro que inspirou a proposta de hoje rapidamente desatei a marcar as preferidas, como sempre faço. Neste caso olhei para a salada caribeña e rapidamente a imaginei perfeita envolvida em couscous.

É uma receita extra simples, altamente representativa da versatilidade do couscous, que aqui juntamente com a fruta é rei. Não rivalizam. Complementam-se em pleno. 
A única exigência desta saladinha é que seja comida bem bem fresca.

E excelente Verão a todos! 







































SALADA CARIBEÑA GELADA
(Adaptada da receita Chilled Caribbean Shrimp Salad, do livro "The Skinny Taste Cookbook", de Gina Homolka)

Ingredientes
(3-4 doses)

1 cebola roxa, média
2 laranjas
1/2 mamão
1 manga
1 abacate
1/2 de pimento vermelho
1 lima
12 camarões médios, cozidos e descascados
2 chávenas (chá) de couscous
Coentros frescos
Azeite 
Flor de sal, by Necton
Pimenta preta

Preparação

Começar por preparar o couscous, levando duas chávenas (chá) de água a ferver, temperada com uma pitada de sal. Colocar o couscous num prato fundo, juntar um fio de azeite e verter a água a ferver por cima. Tapar o prato  e aguardar 3-4 minutos, para a água seja absorvida. Destapar e mexer com um garfo para que os grãos se soltem bem. Reservar.
Descascar a cebola e laminar finamente. Temperar com sal, com um fio de azeite e sumo de lima.
De seguida laminar a laranja (reservar 1/2) e retirar a pele. Juntar à cebola.
Descascar a manga e o mamão e cortar em cubos, assim como o pimento.
Juntar a fruta, o pimento, o camarão e os coentros à cebola, temperar com o sumo de 1/2 laranja, sal e pimenta preta. Envolver bem e levar ao frio cerca de 30 minutos.
Retirar do frio envolver o couscous e o abacate cortado em cubos. Antes de servir acrescentar um pouco mais de sal, pimenta e sumo de lima e servir bem fresco.



29/05/16

Bacalhau Lascado com Crumble de Camarão e Palitos de Polenta




É inevitável pensar como é estranha a forma que o nosso paladar tem de mostrar como pode ser educado (ou se calhar apenas despertado, não sei) sempre que estou a escrever uma receita de bacalhau.
A ironia de nunca me sair da memória o horror que tinha a este peixe em miúda, em contraponto ao carinho que lhe tenho hoje.
O odiado que agora me leva a preferi-lo e pedi-lo em bons restaurantes da especialidade, em vez de uma boa carne. O monstro que quase me fazia vomitar que hoje me sabe pela vida.

Escolhi esta receita para partilhar no Dia Nacional da Gastronomia, instituído pela primeira vez este ano e que se celebrará sempre no último Domingo de Maio, por ter na sua base o rei da nossa mesa (cliché ou não, é a realidade) e por me levar a conhecer um pouco melhor um pedacinho de Portugal. Pois com este prato concorri e venci o Passatempo do Dia dos Namorados da Knorr/Abreu. O prémio, esse contribuirá para uns bons dias de reposição de energias e diversão na melhor companhia, e seguramente, aumento de conhecimento em relação à nossa rica gastronomia. 
Um prato cheio de vantagens, portanto, e uma escolha que só posso agradecer aos promotores do concurso.  

É uma receita simples, onde o bacalhau, apesar de conservar a sua natureza, ganha uma nova dimensão pelos sabores e texturas criadas nos legumes envolvidos no camarão, e relaciona-se na perfeição com a minha querida e discreta polenta.







































BACALHAU LASCADO COM CRUMBLE DE CAMARÃO E PALITOS DE POLENTA

Ingredientes
(2 pessoas)

80 gr de polenta pré-cozinhada
200 ml de água
1 caldo Knorr Alho e Coentros
1 posta de bacalhau, grande e alta
4 camarões, médios
2 dente de alho, médios
Azeite qb
1 cm de gengibre fresco
1/2 caldo Knorr de Caldo de Marisco
3 colheres (sopa) de azeitona preta, picada
80 gr de espinafres
60 gr de cogumelos shimeji
Pimenta qb
Sal qb
Coentros frescos

Preparação

Começar por preparar a polenta, levando a água ao lume juntamente com o caldo Knorr Alho e Coentros, quando a água ferver juntar a polenta, em chuva e lentamente, mexendo sempre. Deixar cozinhar 4 a 5 minutos, continuando a mexer, e retirar do lume. Colocar num recipiente quadrado ou rectangular, previamente forrado com película aderente, alisar a superfície, e levar ao frigorífico cerca de 1 hora.
Levar a posta de bacalhau a cozer em água abundante durante 7-8 minutos. Retirar da água, deixar arrefecer um pouco, retirar pele e espinhas e lascar com cuidado em pedaços médios.
Entretanto colocar numa frigideira anti-aderente um fio generoso de azeite, dois dentes de alho esmagado e o gengibre ralado. Quando a azeite estiver bem quente introduzir os camarões, meio caldo Knorr de Caldo de Marisco e deixar alourar bem de ambos os lados. Quando estiverem bem cozinhados retirar, cortar em pedaços pequenos e juntar à azeitona preta e a uma colher de sopa de coentros picados. Reservar.
Retirar os dentes de alho da frigideira, adicionar duas colheres de sopa de água quente e levar as lascas de bacalhau a alourar de ambos os lados.
Retirar o bacalhau da frigideira e coar o molho sobrante para um recipiente.
Na mesma frigideira colocar os espinafres grosseiramente laminados e os cogumelos, temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar 3-4 minutos até os legumes amolecerem e cozinharem ligeiramente. 
Tirar a polenta do recipiente, rejeitar a película aderente e corta-la em tiras de modo a formar palitos. 
Montagem: dispor um pouco de espinafres com cogumelos no prato de servir, colocar os palitos de polenta à volta, seguido das lascas de bacalhau por cima dos legumes e terminar espalhando o crumble de camarão, azeitona e coentros, a gosto. Regar com um pouco de molho e servir. 



17/02/15

Arroz de Matapa




Das promoções da Wook tem vindo livros que nos conseguem surpreender imenso. 
Graças a isso, de Moçambique vem este prato que me chamou a atenção pela perfeita sintonia entre os ingredientes e sabores utilizados e a simplicidade de confecção.
Sugeria um resultado cheio de sabor mas simultanemante, de alguma forma, leve. Assim é!

No prato original o efeito verde das folhas é bem mais intenso, até porque é servido com arroz branco, à parte. Porém, quando comecei a ver aquele belo caldo, não resisti e tive de lhe juntar o arroz.

Tem a particularidade de ser feito com folhas de abóbora ou amendoim. Como por cá não se mostra muito fácil encontra-las, a autora sugere usar nabiças em substituição. 

Ficou uma deliciosa malandrice que me fez comer e repetir.


 
 
ARROZ DE MATAPA
(Receita adaptada do Livro "Sabores de África", de Conceição Santos)

Ingredientes
(4 pessoas)

500 gr de nabiças
400 gr de camarão médio, crú
1 cebola grande
2 tomates maduros
3 dentes de alho
100 gr de amendoim sem casca, triturado
Azeite
Caldo de legumes
Sal
1 malagueta seca
Coentros frescos
1 copo grande de arroz (de preferência parboilizado)

Preparação

Lavar as nabiças e miga-las, como para caldo verde. Reservar.
Num tacho largo dispor por camadas, a cebola em rodelas, o tomate em rodelas, o alho esmagado, as nabiças, o camarão e o amendoim. Regar com um fio de azeite e um pouco de água. Temperar com sal, malagueta e coentros partidos muito grosseiramente.
Levar ao lume médio e deixar cozinhar uns 5 minutos, sem mexer. Será libertado algum líquido. 
Acrescentar o arroz e envolver delicadamente no restante. Adicionar cerca de 2,5 copos de caldo de legumes, verificar temperos, tapar e deixar cozinhar em lume brando.
Ir verificando, quase sem mexer. Se necessário acrescentar um pouco de água.
Quando o arroz tiver cozinho, mas firme, retirar do lume. Não deve ficar com muito molho.
Polvilhar com coentros frescos e amendoim picado e servir. 

Nota: em relação à receita original acrescentei alho e coentros 






http://www.wook.pt/ficha/sabores-de-africa/a/id/1553366?a_aid=54775e8533ab4

01/10/14

|comer| Vatapá de Bacalhau e Camarão







Porque o bacalhau é o peixe-rei da mesa portuguesa, um dos alimentos preferidos e de maior destaque na nossa gastronomia, não consigo explicar.
Mas suspeito que a sua incrivel versatilidade, sabor e potencial, façam com que seja tão adorado, consumido numa média de 7kg/ano por cada português e confeccionado das formas mais díspares, variadas e interessantes do que qualquer outro ingrediente.

Mas nem sempre pude dizer isto deste peixinho que não pode faltar nas cozinhas portuguesas.

O bacalhau era simplesmente o alimento que mais odiava em miúda. E não estou a exagerar o sentimento, não. Simplesmente não o suportava. Do seu cheiro ao sabor ou textura, tudo era horrivelmente mau naquele peixe. 
Ao ponto de desenvolver as peripécias mais engraçadas quando me obrigavam a come-lo na escolinha. Um verdadeiro filme que não vale a pena estar aqui a relatar, para não impressionar estomagos mais sensíveis. 

É-me impossível explicar esta repulsa, e ainda hoje não consigo saber quando comecei a aceitar e mais tarde a adorar bacalhau. 
Sim, porque hoje sou daquelas pessoas que vai propositadamente a um restaurante especialista em bacalhau para me deliciar com uma boa posta. Algo que me impressionava imenso em miúda e um hábito que os meus pais tinham: pedir bacalhau num restaurante! Como era possível?!?

Posto isto, esta 17ª edição do desafio "Dia 1... Na Cozinha" teve a capacidade de me fazer recuar no tempo, e se calhar até me redimir, assumindo declaradamente o quanto era injusta com este grande alimento.

Podia ter optado por respeitar a bela da posta e fazer um pratinho mais imponente e elegante, mas admiro estas diferenças culturais, e já andava de olho nestes sabores. 
Foi uma forma diferente de o confeccionar, e melhor ainda, pôr os homens da casa, principalmente o pequenito, que ainda embola imenso o bacalhau na boquita, a come-lo sem reclamações.

O Vatapá é um prato brasileiro, típico da baía, porém de influências africanas. Caracterizo-o como uma forte e bem rica açorda, com sabores marcantes e uma textura cremosa. 
Depois de algumas pesquisas, onde encontrei receitas com as suas disparidades habituais, criei a minha versão, mais ajustada aos nossos gostos.

Apreciamos muito o resultado e fica a sugestão de mais uma maneira, talvez a nº35.728, de confecionar este nosso delicioso amigo.

Espero que gostem!


  

VATAPÁ DE BACALHAU E CAMARÃO

INGREDIENTES
(4 pessoas)

3 postas grandes de bacalhau demolhado
20-25 camarões médios cozidos
3 fatias de pão de forma sem côdea
1 cebola grande
3 dentes de alho
1/2 pimento vermelho
1 pimento verde
1 tomate grande maduro
Polpa de tomate (se necessário)
1 raminho de salsa
2 col. sopa de caju triturado
150 ml de leite de côco
Sal
Pimenta
Gengibre em pó
Coentros em pó

PREPARAÇÃO 

Retirar a pele e as espinhas ao bacalhau e desfia-lo. Descascar o camarão. Reservar.
Levar a triturar a cebola, o alho, os pimentos e a salsa. Pelar, abrir e retirar as sementes do tomate e tritura-lo também. Reservar.
Desfazer o pão em pedaços pequenos e colocar de molho uma taça com água.
Numa frigideria anti-aderente colocar um fio generoso de azeite e levar o bacalhau, escorrido, a alourar durante 3-4 minutos. 
Acrescentar a mistura da cebola com os pimentos e deixar cozinhar uns 5 minutos. Temperar com sal, pimenta, uma pitada de gengibre e de coentros.
Adicionar o tomate, o caju, o camarão e o leite de côco e deixar cozinhar mais 2-3 minutos. Adicionar o pão, escorrido, e envolver bem. Rectificar temperos e deixar cozinhar no máximo 5 minutos, até o molho começar a reduzir. Se eventualmente secar demais acrescentar um pouco de polpa de tomate.
Retirar do lume, polvilhar com salsa picada e servir acompanhado de arroz branco soltinho.

Nota: coloquei menos pão do que as receitas que encontrei, na generalidade, sugeriam. Talvez por isso tenha ficado menos cremoso em termos de aspecto. 
Para agradar a todos subsititui os coentros frescos por salsa.
Nota_1: É importante ter nocção de que começando a arrefecer engrossa bastante, pelo que deixei com algum molho.

Para uma vivência mais fiél do prato, esta é a sugestão deixada numa das receitas que encontrei: "Servir com aquele jeito de moça faceirosa, paquerando os moços bonitos do pedaço, sem largar o rapaz direito que é seu namorado." 

Fica ao critério! :)