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16/05/16

Trifle Tropical








































Este foi seguramente o melhor doce que comi nos últimos tempos! E só por este motivo tinha de abrir o post com desta declaração. 
Para apaixonados por (muita) textura, intensidade, sabores frescos e mesclas vibrantes, acredito que se o experimentarem dirão o mesmo que eu.

Quando me propus a participar no Desafio Açoriano II, passatempo que a Elisabete resolveu muito bem repetir (podem ver aqui a proposta da 1ª edição), não imaginava qual o ingrediente que me seria atribuído (a novidade em relação à edição anterior é precisamente a atribuição de um ingrediente-base aos participantes). Quando o li fez-me alguma confusão, pois nunca o identificaria como ingrediente mas sim como produto final. Até que lá se fez luz e entendi, acho eu, o que a autora do desafio pretendia. O meu ingrediente é Massa Sovada.
Algo que não pode deixar de ser realçado é o cuidado que a Elisabete tem neste seu projecto de promover sempre os produtos regionais açorianos. Numa 1ª fase, através da sua apresentação, pois nem sempre temos acesso e os conhecemos, e de seguida colocando-nos a explorar e provar todo o seu potencial. Não tem de ser chatos, aborrecidos ou monótonos. Antes pelo contrário, fica demonstrado que tem imensa personalidade e muito valor, produzindo excelentes pratos e propostas deliciosas. 
Até o dia de publicação das participações não foi escolhido ao acaso. Hoje, dia 16 de Maio celebra-se, este ano, a Segunda-feira do Espírito Santo e o Dia da Região Autónoma dos Açores, logo, é a data perfeita para desta forma se homenagear o arquipélago açoriano.

Posto isto lá comecei à procura e encontrei a açoriana Massa Sovada por cá, mais precisamente na banquinha regional do El Corte Inglês. Assim que a vi assemelhei-a muito aos nossos folares nortenhos. Ao cortar e provar confirmo as suposições, contudo, acho a Massa Sovada mais leve, solta e menos densa.  

A Massa Sovada é um pão doce original dos Açores que marca presença em todas as ilhas, e é feito e usado nas Festas do Espírito Santo e na Páscoa.
As receitas podem apresentar variantes de ilha para ilha. Esta que encontrei e usei é de Fajã de Cima, ilha de São Miguel.

Devo dizer que foi quase imediata a ideia do que pretendia fazer. Como aprecio pouco estas massas comidas assim ao natural, reconhecendo-lhe, no entanto, muito potencial quando integradas em ambientes mais húmidos e intensos, achei que a ideia de a incorporar num Trifle com fruta, calda e crocâncias, resultaria muito bem.
Os sabores teriam de me remeter ainda mais para a natureza desta região insular. Pelo que, o ananás surge imediatamente como fruta rainha do doce. Os outros elementos foram aparecendo naturalmente, como complementos não menos importantes.
trifle é, para quem não conhece, um doce de camadas, muito versátil, onde considero ser fácil chegar a resultados harmoniosos, desde que conjugados os sabores certos (se é que isto existe!). 
Pois tenho de concluir que aqui existiu. É que este aquário, como lhe chamamos por cá, ficou divinal.

E assim participo neste desafio, esperando ter valorizado e dignificado devidamente a Massa Sovada da terra natal da anfitriã, um arquipélago de uma beleza apaixonante que um dia terei o prazer de conhecer.     







































TRIFLE TROPICAL

Ingredientes
(6-8 pessoas)

300 gr de Massa Sovada (usei da Pastelaria Farias, Fajã de Cima)
400 gr de queijo mascaspone
100 gr de açúcar em pó
2 iogurtes gregos, naturais açucarados
1/2 colher (sopa) de extracto de baunilha
1 pitada de canela
120 gr doce de frutos vermelhos caseiro
120 gr de polpa de maracujá e manga (usei da Yonest)
5-6 fatias finas de ananás dos Açores
8-10 biscoitos de chocolate branco "fingers" (usei Cadbury)
3 colheres (sopa) de noz pecan, partida grosseiramente
4 suspiros, médios
Licor de maracujá dos Açores (opcional)

Preparação

Começar pelo creme, batendo o mascarpone até estar macio. Juntar o açúcar, a canela e o extracto de baunilha e bater um pouco mais até o açúcar estar perfeitamente envolvido. De seguida acrescentar o iogurte e envolver bem. Reservar no frio até usar.
Cortar as fatias de ananás em pedaços pequenos. Reservar.
Partir grosseiramente os biscoitos e juntar à noz pecan. Reservar.
Fatiar a massa sovada em fatias de cerca de 1,5-2 cm de espessura e cortar em tiras. Reservar uma fatia para triturar, tostar ligeiramente e concluir a decoração do doce.
Montagem: num recipiente, idealmente de vidro, começar por espalhar uma camada de fatias/tiras de massa sovada, salpicar com um pouco de licor, seguindo-se de pedaços de ananás e uma camada generosa de creme de mascarpone e iogurte. De seguida espalhar o doce de frutos vermelhos e de polpa de manga/maracujá, a gosto, e finalizar com a mistura de biscoito com noz pecan. Repetir as camadas por esta ordem até terminarem os ingredientes. A última camada deverá ser de creme de mascarpone, regado com doce e polpa, e finalizando com o crocante de biscoito e noz, ao que se acrescenta os suspiros grosseiramente desfeitos à mão e migalhas de massa sovada ligeiramente tostada no forno.
Conservar no frio até à hora de servir.
Servir bem fresquinho.



13/09/14

|comer| Bundt de Ananás Caramelizado com Cardamomo e Hortelã





A minha inspiração para este Bundt foi um bolinho de um blog que gosto muito de acompanhar, e cuja receita estava guardada há algum tempo para testar.

Assim que vi o tema da edição de Setembro da Bundtmania, a receita do Romeu surgiu-me. 
Mesmo conservando o conceito-base procedi a algumas adaptações, personalizando esta delícia com a substituição do fruto e da erva aromática, pois igualmente há bastante tempo que queria fazer um bolinho de ananás.

Há certos alimentos e sabores que vivem associados nas nossas memórias e paladar. 
O ananás e o côco são frutos que tem essa particularidade. Acho que casam lindamente, culminando na famosa Piña Colada.
Considerando que adoro côco com um toque de cardamomo entendi que a combinação de sabores sairia bem.

A hortelã e o ananás nem precisam de grande nota pois é uma combinação sempre vencedora. Inês, tu que o digas! :)

O resultado foi este bolinho fresco e aromático, que não podia ter sido a escolha mais acertada para estrear a minha querida forma nova.

Para a Lia do blog "Lemon & Vanilla" e para a Mena "As Aventuras de uma Mamã", segue esta coisinha gira e deliciosa. Espero que gostem! 

 






































BUNDT DE ANANÁS CARAMELIZADO COM CARDAMOMO E HORTELÃ

INGREDIENTES
(10 fatias)

|Ananás caramelizado
1/2 chávena de agua
3 col. sopa de açucar
1 col. sopa de manteiga
5 sementes de cardamomo 
4 folhas de hortelã fresca
3 rodelas de ananás fresco

|Massa
3 ovos grandes
120 gr de açucar de açucar mascavado claro
3 col. sopa de óleo de côco (medido já liquido)
1,5 iogurte grego natural açucarado
4 folhas de hortelã
180 gr de farinha
1 col. sobremesa de fermento

PREPARAÇÃO

Com antecedência de 1-2 horas começar por colocar 4 folhas de hortelã, partidas em pedaços, dentro do iogurte. Deixar a aromatizar.
Pré-aquecer o forno a 180º.
Para o caramelo: levar ao lume brando a água e as sementes de cardamomo e deixar ferver 2-3 minutos. Acrescentar depois o açucar, a hortelã cortada em pedaços pequenos e a manteiga. Deixar ferver e ir mexendo. Quando começar a ganhar ponto e uma ligeira cor, retirar do lume e verter na forma de bundt, já barrada com manteiga. Rodar a forma para o caramelo se espalhar bem pelas paredes.
Cortar o ananás em pedaços pequenos e idênticos e espalhar no fundo da forma, arranjando-os do modo pretendido.
Para a massa: começar por triturar o iogurte juntamente com as folhas de hortelã, com a varinha mágica. Reservar.
Separar os ovos e bater as gemas com o açucar durante 3 minutos, até ficar um preparado fôfo.
Acrescentar o óleo de cocô e o iogurte e envolver bem. 
Adicionar a farinha e o fermento e bater um pouco mais a baixa velocidade.
Por fim bater as claras em castelo e envolve-las delicadamente (com uma espátula) na massa. 
Com cuidado, verter o preparado sobre o ananás e levar ao forno cerca de 30-35 minutos. Verificar a cozedura com um palito e retirar do forno.
Deixar arrefecer cerca de 10 minutos e desenformar com cuidado.
Servir depois de arrefecido.

Nota: não deixar arrefecer mais de 10-15 minutos antes de desenformar, sob pena do caramelo secar e colar à forma.

Nota_1: para obter uma caramelização mais acentuada e um resultado mais corado, fazer um caramelo mais forte e denso.