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26/08/16

Bolo Mármore










































Lembro-me bem que uma das primeiras receitas que retive de forma mais marcante de um blog nosso que adoro, foi o Bolo Mármore, da Rosa.
Curiosamente, além das fotos magnificas e do bolo lindo, o que mais me marcou foi uma peça especifica da composição fotográfica. O bolo foi apresentado em cima de uma daquelas bases para proteger a mesa dos tachos quentes, que era igualzinha às que costumávamos ter quando era miúda. Salvo erro, compradas na feira pelo meu avô.
Já não me lembrava de ver peças destas e adorei a boa recordação que me trouxe. Da infância, do meu avô paterno e da boa comida servida nos tachos que tapavam aquelas bonitas bases de palha.

Este clássico é talvez dos mais executados, presentes e sempre gerador de boas sensações. Por cá nunca se fizeram muitos bolos mas lembro-me de gostar imenso deste em particular. Achava imensa piada ao efeito marmoreado. 
Quando o lindo livrinho da Rosa, autora do blog Be Nice, Make a Cake, chegou, atirei-me logo à Granola e ao Bolo Mármore. Desde essa altura, posso garantir que quando me apetecem estas duas coisas são estas as receitas que faço. Adoro testar granolas, mas a da Rosa nunca mais abandonou os frascos cá de casa.

Fica esta partilha, que dispensa grandes apresentações, acompanhada de um bom café, saída de um livro especial, feito de modo artesanal com todo o carinho, único e cheio de boas ideias. 
Falem com a Rosa e conheçam-no, pois vale bem a pena. 
  







































BOLO MÁRMORE
(Receita do "Caderno de Receitas com Chocolate", da Rosa Cardoso/Blog Be Nice Make a Cake)

Ingredientes
(8-10 fatias)

5 ovos + 1 gema
125 gr de manteiga (à temperatura ambiente)
125 gr de açúcar
130 gr de farinha (sem fermento)
1 colher (chá) de fermento em pó
50 gr de chocolate em pó
120 gr de iogurte natural (usei grego)
Raspa de limão
1 colher (chá) de canela
1 colher (chá) de café me pó
1 colher (chá) de extracto de baunilha

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar uma forma com manteiga e polvilhar com farinha. Usei forma de bolo inglês mas pode ser feito noutra a gosto.
Bater muito bem a manteiga com o açúcar até obter um creme fôfo e esbranquiçado. Adicionar as 5 gemas e bater bem até ficar homogéneo.
Acrescentar o iogurte e envolver bem.
Bater as claras em castelo e envolver delicadamente no preparado.
Adicionar a farinha com o fermento e envolver novamente,
Dividir a massa em duas partes iguais. A uma das partes juntar a raspa de limão e a baunilha e envolver. Na outra parte juntar a gema restante, o chocolate em pó, a canela e o café e envolver bem.
Deitar as duas massas, alternadamente, na forma, criando assim o efeito marmoreado.
levar ao forno cerca de 30 minutos, fazendo o teste do palito para verificar a cozedura.
Quando cozido, retirar do forno, deixar arrefecer cerca de 25-20 minutos e desenformar.



20/08/16

Trifle












































Ainda estamos praticamente a meio de Agosto, sensivelmente a um mês do fim do Verão. Ainda muito calor virá (ou talvez não), mas o que é certo no meio de tanta incerteza é a vontade de fechar a primeira época quente do Sweet World com um doce que reflicta a cara e o espírito desta estação. 
Um doce que traga a frescura e a leveza que se procura nesta altura do ano, sabendo que, seguramente, dentro de pouco tempo dará lugar à busca e exploração de novos sabores, aromas e ambientes. 
Basicamente um doce de colher com fruta da estação, na forma de um bom Trifle, verdadeiro e original, pareceu-nos perfeito para responder a este propósito, sendo este o tema da 8ª edição do desafio.

O Trifle é uma sobremesa típica inglesa, que embeleza as mesas britânicas há mais de quatro séculos. Peça central da sua cultura gastronómica, a primeira referência conhecida a este doce data de 1585, e está presente no livro The Good Huswifes Jewell de Thomas Dawson, escritor inglês autor de temáticas relacionadas com a culinária e a manutenção do lar.

É um facto que dá forma ao doce de camadas mais famoso e, provavelmente, reproduzido de sempre. Contudo, o que normalmente acontece (e por mim falo) é fazermos uma bonita sobremesa com uma camada de bolo, uma camada de creme e uma camada de fruta, adicionando eventualmente algumas crocâncias, mais coisa menos coisa, e chamarmos de Trifle, quando na realidade é apenas uma espécie de. 







































As variações são tantas e tão diversas que só depois de bastante pesquisa e com a ajuda preciosa da Lia, que já teve a sorte e prazer de poder provar verdadeiros Trifles, se chegou à versão considerada mais próxima possível da original.
Confesso que alguns pormenores me surpreenderam bastante. Simplesmente nunca tinha visto ou feito o doce desta forma. Destaco o uso da gelatina que realmente desconhecia, e que não sendo usada em todos os trifles, se apresenta associada à origem do doce, pelo que, faz todo o sentido respeitar.

Resumidamente, para executarmos um verdadeiro Trifle, devemos pegar numa taça ou copo alto, idealmente de vidro, e começar a dispor as camadas no fundo do recipiente pela seguinte ordem:
- Pão de Ló embebido em licor ou vinho madeira
- Morangos ou mistura de Frutos Vermelhos
- Gelatina de Morango
- Creme Custard (uma espécie de leite creme mas mais abaunilhado)
- Chantili/Natas batidas
- Sprinkles (formigos colocridos) e Amêndoa laminada (opcional)  

Relembrando os principais objectivos do Sweet World, nesta edição, principalmente, vamos ser o mais fiéis possível ao original. Bem sei como é fácil extravasar, mas neste caso, se o fizermos, dificilmente teremos o doce original e passamos a ter apenas um qualquer doce de camadas.
Neste tema, naturalmente, que o desafio não passa pela dificuldade, mas antes pelo prazer do conhecimento e pelo gosto de saber que é assim que um dos mais famosos doces do mundo dever ser executado e saboreado.
E desta experiência obtenho o resultado de um bonito, elegante e expressivo doce que, confesso, superou imenso as minhas expectativas. A mistura de todas as camadas, de sabores, texturas e densidades tão distintas, resulta efectivamente impecavelmente bem. 
É fresco, é vibrante, é delicioso. Uma lufada de ar fresco, que com certeza por cá será repetido várias vezes.

Se aceitam o desafio e se querem juntar a nós na execução deste belo doce, basta seguirem as seguintes regras:

  • Tem até ao dia 20 de Setembro para nos apresentarem o vosso Trifle, deixando aqui neste post o link da vossa participação;
  • Só participações enviadas até este dia serão consideradas; 
  • Neste mesmo dia, 20 de Setembro, será publicado no blog da Lia o tema da próxima edição;
  • round up desta 8ª edição será publicado aqui no blog no dia 25 de Setembro.







































TRIFLE

Ingredientes
(8-10 doses)

1/2 pão de ló (esta receita)
3 colheres (sopa) de sherry (usei ginginha)
350 gr de morangos frescos ou mistura de frutos vermelhos
500 ml de gelatina de morango (1 saqueta de preparado de gelatina)
500 ml de creme custard*
350 ml de natas para bater + 1.5 colher (sopa) de açúcar em pó
Sprinkles (formigos coloridos) e amêndoa laminada torrada para decorar

*Creme Custard
600 ml de leite
1 vagem de baunilha
1 pitada de sal
90 gr de açúcar
2 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de amido de milho
4 gemas

Preparação

Preparar o creme custard com antecedência. Abrir a vagem de baunilha raspar as sementes e juntar num tachinho com o leite, o açúcar, o sal, a manteiga e o amido de milho. Mexer bem e levar a lume brando mexendo sempre. Quando começar a ferver retirar do lume. Colocar um pouco do preparado lentamente sobre as gemas, mexendo sempre. De seguida juntar as gemas ao preparado que está no tacho. Levar novamente a lume brando, mexendo sempre durante 2-3 minutos, até engrossar. Retirar do lume, proteger com película aderente junto ao creme e deixar arrefecer completamente.
Preparar a gelatina de acordo com as indicações da embalagem e deixar arrefecer e prender ligeiramente, mantendo, no entanto, alguma fluidez. 
Bater as natas bem firmes com o açúcar e conservar no frio até usar.
Lavar e cortar os morangos em quartos. 
Montagem: numa taça ou copo largo grande de vidro começar por colocar fatias ou pedaços de pão de ló, de forma a preencher bem o fundo. Salpicar com o licor de ginga, e de seguida distribuir os morangos cortados em pedaços. Verter a gelatina por cima dos morangos e levar ao frio, cerca de 2-3 horas, até a gelatina estar totalmente sólida.
De seguida verter a camada de creme custard (não usei a totalidade, reservei 100-150ml), espalhar nova camada de morangos laminados (opcional), e finalizar com as natas batidas, que poderão ser aplicadas com saco de pasteleiro, se se mostrar mais fácil.
Polvilhar abundantemente com sprinkles e amêndoa laminada torrada.
Conservar no frio e servir bem fresco.




03/08/16

Segredo do Peter (Bolo de Côco e Mel)










































Gostava de saber explicar de onde vem o nome deste bolo, mas não sei. Imagino que seja uma receita criada pelo Peter, um bom rapaz, que agradava a toda a gente, e que durante muito tempo foi o seu segredo.
Algumas divagações depois, sei apenas que o encontrei há uns valentes anos numa revista "Saberes e Sabores" da Vaqueiro, e fiz durante algum tempo. Porque leva côco e mel, agradava imenso ao homem grande da casa.
Entretanto ficou esquecida. Por estes dias em que chegou um carregamento de mel caseiro cá a casa, com o brinde de um belo e fresco favo, lembrei-me desta receita e resolvi procura-la, repetir e partilhar.

É um bolo muito simples, doce e intenso, conforme facilmente se constata pelos ingredientes que leva. Não leva farinha, é baixo e húmido, e realça bem os seus sabores principais, que se mesclam e respeitam na perfeição. 

Não é propriamente um bolo fresco de Verão, mas antes um bolo intemporal, sem estação, que para apreciadores destes aromas e texturas, vai bem em qualquer altura.

Deliciem-se!







































SEGREDO DO PETER (Bolo de Côco e Mel)
(Adaptada desta receita)

Ingredientes
(10-12 fatias)

4 ovos, grandes
150 gr de açúcar (a receita original indica 250 gr)
100 gr de Vaqueiro para bolos (ou outra margarina a gosto)
2 colheres (sopa) de mel
100 gr de côco ralado

Preparação

Pré-aquecer o forno a 220ºC. 
Untar uma forma redonda com manteiga (usei de 20cm de diâmetro), forrar o fundo com um círculo de papel vegetal e voltar a untar. Reservar.
Separar as gemas das claras e bater as gemas com metade do açúcar durante uns minutos, até resultar num prepara fôfo e esbranquiçado.
Adicionar a manteiga amolecida e o mel, e bater um pouco mais até estar tudo bem incorporado.
Bater as claras em castelo e adicionar aos poucos o restante açúcar, até criar um merengue bem firme e espesso. Delicadamente juntar as claras ao preparado anterior, envolvendo com uma espátula.
Acrescentar o côco e envolver bem, sem bater.
Verter o preparado na forma e levar ao forno cerca de 15 minutos. Reduzir a temperatura do forno para 180ºC e deixar estar mais 8-10 minutos, até o bolo estar bem dourado e firme.
Retirar do forno, deixar arrefecer sobre uma grelha e desenformar. Retirar o papel vegetal do fundo do bolo, polvilhar com côco ralado e servir.
Fresquinho fica ainda melhor.

Nota: Reduzi um pouco o tempo de cozedura pois o meu forno normalmente assa mais rápido.




19/06/16

Fraisier










































Por mais que me esforce não consigo ficar indiferente perante a dificuldade que tenho em conseguir dar resposta a todas as solicitações do dia a dia. Ainda que o blog deva existir para nossa felicidade, momentos de descontração e enriquecimento pessoal, e na minha opinião só assim faça sentido, há alturas em que a corrida contra o tempo não nos permite cumprir a agenda que havíamos estruturado.

Este Junho foi particularmente complicado em termos de disponibilidade para o blog. O aniversário do filho, que com o passar dos anos se vai multiplicando em festas e festinhas, a entrada de maior volume de trabalho, uns dias de férias para juntar à festa, e o facto de não conseguir encontrar morangos decentes e capazes de um bom resultado, fizeram com que a minha participação nesta 5ª edição do nosso Sweet World se arrastasse quase até à data limite. Algo que, assumo, não me agrada nada.

Posto isto, depois de conseguir (à segunda tentativa) um bom resultado razoável, consigo materializar mais um doce do mundo que nunca havia feito ou provado.
O Frasier, clássico francês, aqui apresentado pela Lia, mostrou-se uma excelente surpresa. É um doce que irradia beleza, elegância e frescura, com as suas distintas camadas a conferir um jogo de texturas que dá um prazer incrível saborear.
O morango é de facto um fruto muito especial. Além de lindo, garante uma expressividade única e um sabor irresistível a qualquer doce.

Para este resultado conjuguei três fontes. A massa e o creme são adaptados daqui, a calda usada é daqui e o massapão daqui
Aparentemente tudo estava óptimo. Massa, creme, massapão, montagem. Contudo, na hora de o cortar verifico que o mousseline cede imenso, fazendo a fatia desmoronar um pouco. Não ficou firme e consistente como era suposto, eventualmente, por lhe ter retirado 100gr de manteiga, já que esteve no frio mais de 12 horas.
De aspecto e sabor resultou muito bem, pelo que, a experiência valeu imenso a pena.

Sempre achei este bolo muito elegante e finalmente posso comprovar que é também muito bom. 
Mais uma proposta que o querido Sweet World me dá a conhecer, e que será seguramente para repetir sempre que os bons moranguinhos nos queiram visitar.






































FRAISIER

Ingredientes
(10-12 fatias)

|Creme Mousseline 
400 ml de leite
170 gr de açúcar
1 vagem de baunilha
2 ovos + 1 gema
60 gr de amido de milho
100 gr de manteiga (à temperatura ambiente)
300 gr de morangos

|Massa Genoise 
3 ovos (separados)
100 gr de açúcar
1 colher (sopa) de açúcar baunilhado 
100 gr de farinha (sem fermento)

|Calda
75 ml de sumo de limão
75 gr de açúcar

|Massapão 
100 gr de açúcar em pó
100 gr de amêndoa ralada
15 gr de clara de ovo
1 gota de corante vermelho 

Preparação

Começar por preparar o creme mousseline com antecedência. Abrir a vagem de baunilha e retirar as sementes com o bico da faca. Junta-las ao leite, acrescentar o açúcar e levar ao lume até levantar fervura. Retirar do lume e deixar em infusão.
Bater os ovos com a gema e o açúcar até obter um preparado fôfo. De seguida acrescentar o amido de milho, previamente peneirado. Batendo sempre, adicionar um pouco do leite quente. De seguida adicionar o restante leite e levar o preparado ao lume mexendo sempre de forma enérgica até engrossar (se começar a prender muito rapidamente e parecer que está a ganhar grumos, basta continuar a mexer sempre energicamente até ficar cremoso). Retirar do lume, colocar num recipiente e de imediato proteger com película aderente mesmo colada ao creme. Deixar arrefecer completamente. 
Quando estiver à temperatura ambiente levar de novo à batedeira adicionando uma colher (sopa) de manteiga de cada vez, batendo sempre até o creme ficar bem macio e suave. Reservar no frio.

Para o bolo, pré-aquecer o forno a 180ºC, untar com manteiga duas formas de 20cm de diâmetro e forrar o fundo com papel vegetal também untado. Reservar.
Bater as gemas com o açúcar cerca de 5 minutos até obter um preparado bem fôfo. Bater as claras em castelo e envolver delicadamente nas gemas. De seguida envolver a farinha delicadamente. Verter metade da massa em cada forma e levar ao forno cerca de 20-25 minutos até a estar cozida. 
Retirar do forno, deixar arrefecer 10 minutos e desenformar.
Quando estiverem completamente frios cortar cada disco com o aro de 18cm e reservar.

Para a calda colocar o sumo de limão e o açúcar num tachinho e levar ao lume até levantar fervura e o açúcar estar totalmente dissolvido. Retirar do lume e reservar.

Para o massapão juntar os três ingredientes e bater bem até estarem perfeitamente envolvidos. Se a massa se mostrar demasiado pegajosa para trabalhar, polvilhar com um pouco mais de açúcar em pó e levar ao frigorífico. Na hora de usar, esticar com o rolo até formar um círculo e com o aro de 18 cm cortar na medida pretendida. Reservar.

Montagem: Colocar o aro no prato de servir. Dispor dentro do aro um disco de massa, pincelar com um pouco de calda, dispor os morangos cortados ao meio, na vertical, bem junto do aro. Espalhar os restantes morangos, cortados em pedaços pequenos, pela massa. De seguida verter o creme mousseline, tendo atenção para que cubra bem os morangos e o espaço entre eles. Colocar o segundo disco da massa por cima e voltar a pincelar com um pouco de calda. Finalizar com o disco de massapão. Levar ao frio de um dia para o outro.
Para servir, passar o bico da faca com cuidado pelo aro de forma a soltar a massa, e retirar o aro delicadamente. Decorar a gosto com morangos, outros frutos vermelhos e hortelã, ou outra decoração a gosto.

Nota: optei por fazer o bolo maior e cortar posteriormente com o aro, de forma a garantir que a massa ficasse bem justa ao aro e não corresse o risco de "mingar", o que poderia dificultar bastante a montagem.




20/05/16

Tostas de Morangos Assados, Camembert e Chocolate









































O morango destaca-se na lista dos meus frutos favoritos. Talvez a par do maracujá e do mamão. 
Os frutos vermelhos em geral cativam-me mas o morango é especial. Foi o fruto que mais comi durante a gravidez. Com algum exagero até! 
Adoro o seu sabor único e textura perfeita e adoro a forma como liga excepcionalmente bem com natas ou chocolate, por exemplo. 
É doce mas ácido, super vibrante mas simultaneamente delicado. Imbuído de um já tão reputado carácter sensual.
Ao nível nutricional, além do seu poder anti-oxidante, dada a sua riqueza em flavonoides, é um fruto que nos fornece Vitamina A e C, assim com do complexo B, e ainda minerais como o Ferro, Magnésio e Cálcio. Para melhorar ainda é baixo em calorias! 

No mês dos morangos da Marta, que é este Maio, trago especialmente para ela estas magníficas tostas de um livro que adoro.
Saboreá-las proporciona-nos uma experiência ali entre o "hummmm...", o "ui ca bom" e o "que é isto?!?". Tal é a mescla de fortes sabores tão diferentes entre si e tão complementares, ainda que no fundo se trate de uma receita super simples, onde a versatilidade do fruto fica bem expressa.

A sobriedade do camembert é cortada pela estridência do morango assado que agarra o chocolate quente e salgado de um forma arrebatadora. 
Envolvente será a palavra certa para descrever estas pequenas maravilhas. 

Marta, espero que te agrade tanto como agradou por cá.







































TOSTAS DE MORANGOS ASSADOS, CAMEMBERT E CHOCOLATE 
(Receita do livro Brunch, de Cláudia S. Villax)

Ingredientes
(2 pessoas)

4 fatias de baguete ou outro pão a gosto (usei pão da beira)
2 colheres (sopa) de manteiga
8 morangos, maduros mas firmes
1/2 queijo camembert
50 gr de chocolate de culinária (70% de cacau), partido em pedaços pequenos
Flor de Sal, by Necton
Pimenta de cayena

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Levar uma colher de sopa de manteiga a derreter no microondas. Cortar os morangos em rodelas (não demasiado finas para que não se desfaçam), envolve-los na manteiga derretida e colocar num tabuleiro de forno sobre papel vegetal. Levar ao forno cerca de 10 minutos. Retirar do forno e reservar.
Derreter a restante manteiga. Cortar o pão em fatias, pincelar cada uma com manteiga e coloca-las noutro tabuleiro de forno. Dispor fatias de queijo por cima e de seguida os morangos, terminando com o chocolate.
Levar ao forno até o chocolate começar a derreter e o pão ficar ligeiramente tostado. 
Retirar, polvilhar com flor de sal e pimenta e servir de imediato. 

11/05/16

Pudim de Brioche e Frutos Vermelhos com Curd de Laranja




Já começa a ser familiar para quem por cá passa que os pudins de pão são realmente um paixão. E não só de pão desde que comecei a explorar versões com brioche, dado que é uma massa que gosto muito e faz com que se tenha de adoçar menos o preparado. O que acaba por ser uma clara mais-valia. 

Lembro-me que a primeira vez que fiz um pudim de pão era bem miúda e foi pelo Natal. O Avô Serra adorava e era dos poucos doces que a minha mãe fazia. No entanto não era reproduzido muitas vezes.
Ainda que se distancie consideravelmente destas versões mais inteiras e texturadas, considerando que era passado e ficava bem uniforme, já na altura lhe achei piada.

Contudo, em formatos mais personalizados e recheados acho que ganham outra vida e muito mais interesse. Não será por acaso que algumas culturas tem na sua doçaria tradicional este doce, com as devidas adaptações e apropriações, naturalmente. 
No México temos a Capirotada, no Egipto o Umm Ali, na Grã-Bertanha e em algumas zonas da América vários e fantásticos Bread Puddings, demonstrando o potencial e versatilidade deste alimento-base de qualquer civilização. Muitas vezes em resultado do aproveitamento de restos de pão seco.  

Nesta proposta fiz isso mesmo, aproveitei uns pãezinhos de brioche que já estavam passados e dificilmente seriam consumidos no seu estado natural, e dei forma a esta bonita sobremesa, cheia de vida, textura, muita cor e sabor.
Os sabores dos ingredientes do preparado que humedece o pão dão o tom base à sobremesa, e os frutos vermelhos criam os apontamentos mais vibrantes. 
O toque do curd de laranja que também estava no frigorífico a pedir para ser usado enriqueceu ainda mais o doce.

Admiro a simplicidade e versatilidade desta sobremesa com raízes tão fortes como díspares, sendo, seguramente, um campo que não deixarei de desbravar.
Podemos usar fruta natural, compotas, frutos secos, especiarias, licores, chocolate. O que mais e bem nos apetecer. O resultado? Esse é sempre rico e único.

Ainda que o morango surja aqui bem integrado e mesclado nos outros ingredientes, tem um papel essencial, e com esta proposta respondo ao convite da Marta, para fazer parte da sua linda mesa de Maio, onde este vermelhinho e delicioso fruto é rei. 







































PUDIM DE BRIOCHE E FRUTOS VERMELHOS COM CURD DE LARANJA

Ingredientes
(4-6 doses)

|Pudim
3-4 pãezinhos de brioche
Manteiga qb
3 ovos
3 colheres sopa de mel de flor de laranjeira
100 ml de bebida com sabor a baunilha
50 ml de creme de soja
1 pitada de gengibre
1 colher (sobremesa) de extracto de baunilha
8-10 morangos
6-8 framboesas
Amêndoa laminada

|Curd de laranja (adaptada daqui)  
20 ml de limão
80 ml de sumo de laranja
3 ovos 
120 gr de açúcar 
50 gr de manteiga à temperatura ambiente

Preparação

Começar por fazer o curd (com pelo menos 1/2 dia de antecedência)
Levar ao lume, em banho maria, os ovos bem misturados com o açúcar e os sumos de laranja e limão. Mexer sempre para não ganhar grumos, até engrossar. Demora cerca de 8-10 minutos. 

Retirar do lume e incorporar a manteiga em pedaços. Mexer até a manteiga estar bem derretida e envolvida no creme.
Colocar em frascos esterilizados, fechar bem e deixar arrefecer com a tampa virada para baixo. Refrigerar. Dura cerca de 15 dias no frigorífico.
Pré-aquecer o forno a 190ºC.
Untar com manteiga um recipiente cerâmico de ir ao forno. Reservar.
Cortar os pãezinhos em fatias e colocar no forno para que tostem um pouco. Retirar do forno e barrar com manteiga de um dos lados.
Juntar várias fatias para voltar a formar um pão e colocar dentro da forma, encaixando uns nos outros.
Cortar os morangos às fatias finas e coloca-las entre as fatias de pão. Espalhar framboesas pelo pão.
Bater os ovos e juntar o mel, a bebida com sabor a baunilha, o creme de soja e uma pitada de gengibre e bater bem.
Verter o liquido no recipiente já com o brioche e deixar absorver cerca de 2 horas. (Este deixei durante toda a noite e resultou bem). 
Polvilhar com amêndoa laminada e levar ao forno, cerca de 30 minutos, até o liquido ter desaparecido e a massa estar bem firme e cozida. Se o pão começar a tostar demasiado proteger com papel de alumínio.
Retirar do forno, deixar arrefecer cerca de 15-20 minutos, polvilhar com açúcar em pó, decorar com framboesas, morangos e hortelã.
Servir morno acompanhado com curd de laranja.










































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