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20/08/16

Trifle












































Ainda estamos praticamente a meio de Agosto, sensivelmente a um mês do fim do Verão. Ainda muito calor virá (ou talvez não), mas o que é certo no meio de tanta incerteza é a vontade de fechar a primeira época quente do Sweet World com um doce que reflicta a cara e o espírito desta estação. 
Um doce que traga a frescura e a leveza que se procura nesta altura do ano, sabendo que, seguramente, dentro de pouco tempo dará lugar à busca e exploração de novos sabores, aromas e ambientes. 
Basicamente um doce de colher com fruta da estação, na forma de um bom Trifle, verdadeiro e original, pareceu-nos perfeito para responder a este propósito, sendo este o tema da 8ª edição do desafio.

O Trifle é uma sobremesa típica inglesa, que embeleza as mesas britânicas há mais de quatro séculos. Peça central da sua cultura gastronómica, a primeira referência conhecida a este doce data de 1585, e está presente no livro The Good Huswifes Jewell de Thomas Dawson, escritor inglês autor de temáticas relacionadas com a culinária e a manutenção do lar.

É um facto que dá forma ao doce de camadas mais famoso e, provavelmente, reproduzido de sempre. Contudo, o que normalmente acontece (e por mim falo) é fazermos uma bonita sobremesa com uma camada de bolo, uma camada de creme e uma camada de fruta, adicionando eventualmente algumas crocâncias, mais coisa menos coisa, e chamarmos de Trifle, quando na realidade é apenas uma espécie de. 







































As variações são tantas e tão diversas que só depois de bastante pesquisa e com a ajuda preciosa da Lia, que já teve a sorte e prazer de poder provar verdadeiros Trifles, se chegou à versão considerada mais próxima possível da original.
Confesso que alguns pormenores me surpreenderam bastante. Simplesmente nunca tinha visto ou feito o doce desta forma. Destaco o uso da gelatina que realmente desconhecia, e que não sendo usada em todos os trifles, se apresenta associada à origem do doce, pelo que, faz todo o sentido respeitar.

Resumidamente, para executarmos um verdadeiro Trifle, devemos pegar numa taça ou copo alto, idealmente de vidro, e começar a dispor as camadas no fundo do recipiente pela seguinte ordem:
- Pão de Ló embebido em licor ou vinho madeira
- Morangos ou mistura de Frutos Vermelhos
- Gelatina de Morango
- Creme Custard (uma espécie de leite creme mas mais abaunilhado)
- Chantili/Natas batidas
- Sprinkles (formigos colocridos) e Amêndoa laminada (opcional)  

Relembrando os principais objectivos do Sweet World, nesta edição, principalmente, vamos ser o mais fiéis possível ao original. Bem sei como é fácil extravasar, mas neste caso, se o fizermos, dificilmente teremos o doce original e passamos a ter apenas um qualquer doce de camadas.
Neste tema, naturalmente, que o desafio não passa pela dificuldade, mas antes pelo prazer do conhecimento e pelo gosto de saber que é assim que um dos mais famosos doces do mundo dever ser executado e saboreado.
E desta experiência obtenho o resultado de um bonito, elegante e expressivo doce que, confesso, superou imenso as minhas expectativas. A mistura de todas as camadas, de sabores, texturas e densidades tão distintas, resulta efectivamente impecavelmente bem. 
É fresco, é vibrante, é delicioso. Uma lufada de ar fresco, que com certeza por cá será repetido várias vezes.

Se aceitam o desafio e se querem juntar a nós na execução deste belo doce, basta seguirem as seguintes regras:

  • Tem até ao dia 20 de Setembro para nos apresentarem o vosso Trifle, deixando aqui neste post o link da vossa participação;
  • Só participações enviadas até este dia serão consideradas; 
  • Neste mesmo dia, 20 de Setembro, será publicado no blog da Lia o tema da próxima edição;
  • round up desta 8ª edição será publicado aqui no blog no dia 25 de Setembro.







































TRIFLE

Ingredientes
(8-10 doses)

1/2 pão de ló (esta receita)
3 colheres (sopa) de sherry (usei ginginha)
350 gr de morangos frescos ou mistura de frutos vermelhos
500 ml de gelatina de morango (1 saqueta de preparado de gelatina)
500 ml de creme custard*
350 ml de natas para bater + 1.5 colher (sopa) de açúcar em pó
Sprinkles (formigos coloridos) e amêndoa laminada torrada para decorar

*Creme Custard
600 ml de leite
1 vagem de baunilha
1 pitada de sal
90 gr de açúcar
2 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de amido de milho
4 gemas

Preparação

Preparar o creme custard com antecedência. Abrir a vagem de baunilha raspar as sementes e juntar num tachinho com o leite, o açúcar, o sal, a manteiga e o amido de milho. Mexer bem e levar a lume brando mexendo sempre. Quando começar a ferver retirar do lume. Colocar um pouco do preparado lentamente sobre as gemas, mexendo sempre. De seguida juntar as gemas ao preparado que está no tacho. Levar novamente a lume brando, mexendo sempre durante 2-3 minutos, até engrossar. Retirar do lume, proteger com película aderente junto ao creme e deixar arrefecer completamente.
Preparar a gelatina de acordo com as indicações da embalagem e deixar arrefecer e prender ligeiramente, mantendo, no entanto, alguma fluidez. 
Bater as natas bem firmes com o açúcar e conservar no frio até usar.
Lavar e cortar os morangos em quartos. 
Montagem: numa taça ou copo largo grande de vidro começar por colocar fatias ou pedaços de pão de ló, de forma a preencher bem o fundo. Salpicar com o licor de ginga, e de seguida distribuir os morangos cortados em pedaços. Verter a gelatina por cima dos morangos e levar ao frio, cerca de 2-3 horas, até a gelatina estar totalmente sólida.
De seguida verter a camada de creme custard (não usei a totalidade, reservei 100-150ml), espalhar nova camada de morangos laminados (opcional), e finalizar com as natas batidas, que poderão ser aplicadas com saco de pasteleiro, se se mostrar mais fácil.
Polvilhar abundantemente com sprinkles e amêndoa laminada torrada.
Conservar no frio e servir bem fresco.




25/06/16

Bolo de Espinafres ao Alho com Sementes de Papoila








































Espinafre, alho e parmesão já pode ser considerada uma conjugação clássica de sucesso, certo? Por mim pode!
Adoro este jogo de sabores que se presta a imensos formatos. Simplesmente salteados, incluído numa boa massa, numa pizza, ou até num bolo, como se pode ver aqui.

Desde que conheci esta massa base no livro Popina que a uso para as mais diversas conjugações. Adoro a leveza com que fica e a forma como recebe bem legumes, queijos ou enchidos. É ligeira e perfeita.
Desta feita, depois deste desafio tão bem superado, surge este bolo salgado que agradou tanto e deu forma a um excelente almoço.

Porque adoro bolos salgados, envio esta proposta à Marta para ajudar a encher a mesa deste mês. Resultará verdíssima e linda, seguramente.






































BOLO DE ESPINAFRES AO ALHO COM SEMENTES DE PAPOILA

Ingredientes
(10-12 fatias)

|Massa
2 ovos, grandes
240 ml de leite
80 ml de óleo
50 ml de azeite
160 gr de sêmola de milho
120 gr de farinha com fermento
1 colher (sobremesa) de fermento
1 boa pitada de sal marinho tradicional, by Necton
1 boa pitada de pimenta
1 boa pitada de noz moscada
1 boa pitada de pimentão doce fumado
2 colheres (sopa) de sementes de papoila

|Recheio
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de bacon em cubinhos
3 dentes de alho, grandes
160 gr de espinafres frescos
1 pitada de sal marinho tradicional, by Necton
1 pitada de pimenta
1 pitada de noz moscada
2-3 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
Noz pecan para decorar
Molho tzatziki para acompanhar (receita aqui)

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar com manteiga uma forma redonda de 22 com de diâmetro e forrar o fundo com um disco de papel vegetal também untado. Reservar.
Num recipiente juntar os ovos, previamente batidos, o leite, o óleo, o azeite, a farinha, o fermento, as especiarias, o sal e a sêmola de milho e envolver bem até ficar num preparado homogéneo. Deixar repousar em local fresco uns 20-30 minutos.
Entretanto preparar o recheio. Colocar a manteiga numa frigideira anti-aderente a quando aquecer adicionar o alho esmagado e o bacon, deixando cozinhar um pouco sem permitir que o alho escureça. Adicionar de seguida os espinafres laminados e bem escorridos. Temperar com sal, pimenta e noz moscada e deixar saltear um pouco, apenas 3-4 minutos. Retirar/escorrer o liquido libertado e adicionar o queijo, envolvendo bem. Retirar do lume e deixar arrefecer.
Pegar na massa que esteve a repousar, adicionar as sementes de papoila e envolver. De seguida, espremer bem os espinafres e envolver na massa delicadamente.
Verter o preparado na forma e dispor por cima noz pecan e sementes de papoila a gosto.
Levar ao forno cerca de 35-40 minutos, até a massa estar firme e ligeiramente dourada. Fazer o teste do palito e retirar do forno. Deixar arrefecer 15 minutos e desenformar. 
Servir acompanhado com molho tzatziki e uma boa limonada.




19/06/16

Fraisier










































Por mais que me esforce não consigo ficar indiferente perante a dificuldade que tenho em conseguir dar resposta a todas as solicitações do dia a dia. Ainda que o blog deva existir para nossa felicidade, momentos de descontração e enriquecimento pessoal, e na minha opinião só assim faça sentido, há alturas em que a corrida contra o tempo não nos permite cumprir a agenda que havíamos estruturado.

Este Junho foi particularmente complicado em termos de disponibilidade para o blog. O aniversário do filho, que com o passar dos anos se vai multiplicando em festas e festinhas, a entrada de maior volume de trabalho, uns dias de férias para juntar à festa, e o facto de não conseguir encontrar morangos decentes e capazes de um bom resultado, fizeram com que a minha participação nesta 5ª edição do nosso Sweet World se arrastasse quase até à data limite. Algo que, assumo, não me agrada nada.

Posto isto, depois de conseguir (à segunda tentativa) um bom resultado razoável, consigo materializar mais um doce do mundo que nunca havia feito ou provado.
O Frasier, clássico francês, aqui apresentado pela Lia, mostrou-se uma excelente surpresa. É um doce que irradia beleza, elegância e frescura, com as suas distintas camadas a conferir um jogo de texturas que dá um prazer incrível saborear.
O morango é de facto um fruto muito especial. Além de lindo, garante uma expressividade única e um sabor irresistível a qualquer doce.

Para este resultado conjuguei três fontes. A massa e o creme são adaptados daqui, a calda usada é daqui e o massapão daqui
Aparentemente tudo estava óptimo. Massa, creme, massapão, montagem. Contudo, na hora de o cortar verifico que o mousseline cede imenso, fazendo a fatia desmoronar um pouco. Não ficou firme e consistente como era suposto, eventualmente, por lhe ter retirado 100gr de manteiga, já que esteve no frio mais de 12 horas.
De aspecto e sabor resultou muito bem, pelo que, a experiência valeu imenso a pena.

Sempre achei este bolo muito elegante e finalmente posso comprovar que é também muito bom. 
Mais uma proposta que o querido Sweet World me dá a conhecer, e que será seguramente para repetir sempre que os bons moranguinhos nos queiram visitar.






































FRAISIER

Ingredientes
(10-12 fatias)

|Creme Mousseline 
400 ml de leite
170 gr de açúcar
1 vagem de baunilha
2 ovos + 1 gema
60 gr de amido de milho
100 gr de manteiga (à temperatura ambiente)
300 gr de morangos

|Massa Genoise 
3 ovos (separados)
100 gr de açúcar
1 colher (sopa) de açúcar baunilhado 
100 gr de farinha (sem fermento)

|Calda
75 ml de sumo de limão
75 gr de açúcar

|Massapão 
100 gr de açúcar em pó
100 gr de amêndoa ralada
15 gr de clara de ovo
1 gota de corante vermelho 

Preparação

Começar por preparar o creme mousseline com antecedência. Abrir a vagem de baunilha e retirar as sementes com o bico da faca. Junta-las ao leite, acrescentar o açúcar e levar ao lume até levantar fervura. Retirar do lume e deixar em infusão.
Bater os ovos com a gema e o açúcar até obter um preparado fôfo. De seguida acrescentar o amido de milho, previamente peneirado. Batendo sempre, adicionar um pouco do leite quente. De seguida adicionar o restante leite e levar o preparado ao lume mexendo sempre de forma enérgica até engrossar (se começar a prender muito rapidamente e parecer que está a ganhar grumos, basta continuar a mexer sempre energicamente até ficar cremoso). Retirar do lume, colocar num recipiente e de imediato proteger com película aderente mesmo colada ao creme. Deixar arrefecer completamente. 
Quando estiver à temperatura ambiente levar de novo à batedeira adicionando uma colher (sopa) de manteiga de cada vez, batendo sempre até o creme ficar bem macio e suave. Reservar no frio.

Para o bolo, pré-aquecer o forno a 180ºC, untar com manteiga duas formas de 20cm de diâmetro e forrar o fundo com papel vegetal também untado. Reservar.
Bater as gemas com o açúcar cerca de 5 minutos até obter um preparado bem fôfo. Bater as claras em castelo e envolver delicadamente nas gemas. De seguida envolver a farinha delicadamente. Verter metade da massa em cada forma e levar ao forno cerca de 20-25 minutos até a estar cozida. 
Retirar do forno, deixar arrefecer 10 minutos e desenformar.
Quando estiverem completamente frios cortar cada disco com o aro de 18cm e reservar.

Para a calda colocar o sumo de limão e o açúcar num tachinho e levar ao lume até levantar fervura e o açúcar estar totalmente dissolvido. Retirar do lume e reservar.

Para o massapão juntar os três ingredientes e bater bem até estarem perfeitamente envolvidos. Se a massa se mostrar demasiado pegajosa para trabalhar, polvilhar com um pouco mais de açúcar em pó e levar ao frigorífico. Na hora de usar, esticar com o rolo até formar um círculo e com o aro de 18 cm cortar na medida pretendida. Reservar.

Montagem: Colocar o aro no prato de servir. Dispor dentro do aro um disco de massa, pincelar com um pouco de calda, dispor os morangos cortados ao meio, na vertical, bem junto do aro. Espalhar os restantes morangos, cortados em pedaços pequenos, pela massa. De seguida verter o creme mousseline, tendo atenção para que cubra bem os morangos e o espaço entre eles. Colocar o segundo disco da massa por cima e voltar a pincelar com um pouco de calda. Finalizar com o disco de massapão. Levar ao frio de um dia para o outro.
Para servir, passar o bico da faca com cuidado pelo aro de forma a soltar a massa, e retirar o aro delicadamente. Decorar a gosto com morangos, outros frutos vermelhos e hortelã, ou outra decoração a gosto.

Nota: optei por fazer o bolo maior e cortar posteriormente com o aro, de forma a garantir que a massa ficasse bem justa ao aro e não corresse o risco de "mingar", o que poderia dificultar bastante a montagem.




28/04/16

Bolo de Laranja com Nutella




Quando falamos de massas de bolo, além do sabor, que naturalmente é um critério essencial, a textura é um requisito que considero igualmente importante. 
Muitos bolos de camadas pecam por ser algo secos, duros até, demasiado resistentes ao corte, que muita vezes são salvos apenas pelos cremes que o acompanham. 
Como também não sou fã de caldas, tem sido uma luta encontrar uma massa que realmente me convença sem nenhum tipo de "mas".

Pois esta massa, que deriva da uma base que conheci num Workshop destas talentosas meninas, mostra-se tudo que preciso e adoro no corpo de um bolo. É deliciosa, versátil, fôfa e húmida, sem se tornar demasiado densa ou frágil. Podemos facilmente combinar sabores a gosto, conjugar diferentes texturas, e passado três dias ainda não secou e continua excelente.

Faltam-me experimentar algumas variantes que sei que resultarão, mas sempre que quero um bolo delicioso e bem fofinho não penso muito e adapto apenas aromas e cremes de recheio e cobertura.
Confesso que tive de reduzir bastante a quantidade de açúcar em relação à receita original, porque não aprecio massas demasiado doces. De resto, a lógica é sempre a mesma e o resultado também, excelente.

Este bolo resultou do mais aromático que há, com uma combinação de sabores de derreter! É bem simples de executar e sucesso garantido em qualquer festinha ou ocasião. 

Fica a sugestão para surpreenderem mães gulosas neste próximo Domingo. 
Feliz Dia da Mãe!

  







































BOLO DE LARANJA COM NUTELLA

Ingredientes
(10-12 fatias)

|Massa
4 ovos, médios
250 gr de açúcar
180 ml de leite
180 ml de óleo (usei girassol)
1 colher (sopa) de extracto de baunilha
Rapas de 2 laranjas
Raspa de 1/2 limão
300 gr de farinha 
1 colher (chá) de fermento

|Recheio
100 gr de queijo mascarpone
60 gr de açúcar em pó
1 colher (sobremesa) de extracto de baunilha
1 pitada de canela

|Cobertura
150 gr de Nutella
80 ml de natas batidas

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Untar com manteiga duas formas de 20 cm de diâmetro e forrar o fundo com papel vegetal também untado. Reservar. 
Bater os ovos com o açúcar cerca de 5 minutos, até ficar um preparado fôfo. 
Juntar o óleo e envolver. Acrescentar a raspa de laranja e limão e a baunilha. Ir adicionando o leite e a farinha misturada com o fermento, aos poucos. Batendo apenas até estar bem envolvida. 
Verter metade da massa em cada forma e levar ao forno cerca de 30 minutos até a massa estar cozida e o palito sair limpo quando feito o teste.
Deixar arrefecer cerca de 15 minutos e desenformar.
Para o recheio, que pode ser feito com antecedência, basta bater o mascarpone até ficar macio, adicionando de seguida o açúcar, a canela e o extracto de baunilha, e bater até se obter um creme bem homogéneo. Reservar no frio até usar.
Para a cobertura, bater a nutella até ficar cremosa e adicionar as natas previamente batidas e montadas. Envolver bem e reservar no frio até usar.
Quando o bolo estiver completamente frio, colocar um disco no prato de servir, barrar generosamente com o creme de mascarpone, colocar o segundo disco por cima e cobrir todo o bolo com o creme de nutella.
Decorar a gosto e servir.





20/04/16

Donauwelle Torte








































E de Sweet World em Sweet World é impossível parar de explorar, conhecer, aprender, babar e, por vezes também, dar algumas cabeçadas na parede.
Já na 4ª edição, pretendíamos algo interessante (critério essencial e obrigatório!) relativamente simples e preferencialmente bem aliciante. 
Um bolo com grande impacto visual cujo nome significa "Ondas do Danúbio" pareceu-nos que cumpria muito bem os requisitos.
O bolo Donauwelle, de seu nome original Donauwelle Torte e de seu nome carinhoso Donald, diminutivo que adquiriu entre nós, mostrou-se perfeito para encaixar numa primavera indecisa e confusa que claramente necessita de uma boa dose de saborosa beleza para espevitar.

Trata-se de um conhecido bolo de origem alemã e austríaca, cujo significado do nome se deve ao efeito turbulento e ondulado que o marmoreado cria no seu interior, e ainda às ondas desenhadas no chocolate da cobertura, aludindo à natureza do rio Danúbio que atravessa os 2 países e é o segundo maior da europa.
Curiosamente apresenta um nome alternativo, Schneewittchenkuchen, que significa Bolo Branca de Neve, e se deve às suas cores. 

É um bolo bonito e elegante que desperta grande curiosidade, onde se destaca a mescla de sabores, cores e texturas.
Estruturalmente é composto por 3 camadas de execução, ainda que se possa considerar que apresenta 4 elementos: o bolo da base, que se divide em massa branca e massa de cacau, as cerejas, o creme de manteiga e o chocolate de cobertura que finaliza a composição. É baixo, montado e cozido em forma quadrada e servido em fatias do mesmo formato.

Longe de ser difícil, foi, contudo, um bolo que consciente e estupidamente sub-valorizei.   
Apresenta alguns passos que se fazem muito bem e não devem assustar ninguém, mas que me surpreenderam na fase da montagem.
Considero que o resultado final justifica completamente o trabalho que, repito, é relativo, mas que nos pode mostrar como às vezes o simples evidente rapidamente se transforma num simples descontrolado.
Amadora que sou, olhei para os elementos prontos e tudo me parecia encaixar perfeitamente: o bolo estava bem cozido, o creme tinha imensa firmeza, mesmo depois de batido, e trabalhar chocolate simples derretido não tinha nada que enganar. Mas não é que tinha?!
Ora, o creme mostrou-se pouco resistente ao corte e o chocolate ao ser aplicado começou a secar com tal rapidez (devido ao frio do creme!) que dificultou o espalhar e quase não me permitia fazer as ondas.
Optando por não o repetir, porque este projecto também passa por isto de mostrar que estamos aqui para aprender e melhorar, garanto que numa próxima terei todo o respeito pela iguaria a executar, no sentido de prestar mais atenção até aos pequenos pormenores, porque não gosto de resultados assim-assim.

Não sou fã de cerejas de calda, mas enquanto anfitriã do desafio, que se compromete a apresentar a proposta na sua condição mais original e basilar, naturalmente que as tinha de usar. E não é que no conjunto vão muito bem? Neste contexto, passei a gostar de cerejas em calda, que pontuam e conferem ainda mais vida a um bolinho que vale pela sua riqueza de sabores e mescla incrível de texturas. 

Pesquisei diversas receitas que acabei por adaptar chegando a esta, que mantém e respeita o essencial do bolo original. Por cá destaco este da Patrícia que me apaixonou assim que o vi e de onde trouxe a receita do creme. 

Se aceitam o desafio e se querem juntar a nós na execução de um bonito bolo Donauwelle, basta seguirem as seguintes regras:
  • Tem até ao dia 20 de Maio para nos apresentarem o vosso Donauwelle Torte, deixando aqui neste post o link da vossa participação;
  • Só participações enviadas até este dia serão consideradas; 
  • Neste mesmo dia, 20 de Maio, será publicado no blog da Lia o tema da próxima edição;
  • roud up desta 4ª edição será publicado aqui no blog no dia 25 de Maio.

E boas ondas. Sempre com toda a atenção!









































DONAUWELLE TORTE

Ingredientes
(12-15 quadrados)

|Bolo 
2 ovos grandes
100 gr de manteiga
100 gr de açúcar
200 gr de farinha
1 colher (sobremesa) de fermento
80 ml de leite
1 colher (sopa) de cacau
300 gr de cerejas em calda

|Pudim
250 ml de leite
100 gr de açúcar
1 colher (sobremesa) de extracto de baunilha
1 ovo + 1 gema
50 gr de amido de milho
100 gr de manteiga, à temperatura ambiente.

|Cobertura
80 gr de chocolate negro (70% de cacau)
40 gr de chocolate de leite

Preparação

Começar pelo creme que deve ser feito com antecedência.
Levar ao lume num tachinho, o leite com o açúcar e o extracto de baunilha até ferver, e colocar no mínimo.
Misturar muito bem os ovos com o amido de milho, até o amido estar totalmente desfeito. Adicionar duas colheres de sopa do leite quente e mexer rapidamente. De seguida acrescentar os ovos ao leite, mexendo sempre até que engrosse, com o lume sempre no mínimo. Retirar do lume e tapar com película aderente junto à superfície do creme. Deixar arrefecer completamente e conservar no frio.
Quando for para usar, bater bem o creme e ir juntando a manteiga aos poucos, batendo sempre, até ficar bem macio. 
Colocar as cerejas a escorrer durante 30 minutos.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Forrar uma forma quadrada de 20x20 cm com manteiga e forrar com papel vegetal também untado. Reservar.
Bater a manteiga até ficar bem macia. Noutro recipiente bater os ovos com o açúcar até ficar fôfo e esbranquiçado. Juntar a manteiga e bater um pouco mais. Com a batedeira no mínimo, acrescentar o extracto de baunilha e a farinha misturada com o fermento, de forma alternada com o leite, até terminar.
Colocar 2/3 do preparado na forma e à restante massa juntar o cacau e uma colher de sopa de leite. Misturar bem e verter este preparado por cima do outro. Alisar a superfície.
Distribuir as cerejas por cima (se a massa estiver muito firme, pressiona-las ligeiramente para que entrem um pouco na massa e ajudem a criar o efeito de onda).
Levar ao forno cerca de 25 minutos até a massa estar bem firme e o palito sair seco. Retirar do forno e deixar arrefecer.
Para iniciar a montagem, colocar o bolo novamente na forma e espalhar o creme de manteiga por cima até ao topo da forma. Levar ao frio 30-45 minutos.
Retirar do frio cerca de 1 hora antes de aplicar o chocolate. (nesta fase é essencial que o creme esteja à temperatura ambiente).
Para a cobertura levar a derreter os chocolates em banho maria. Quando estiver bem macio e uniforme deixar arrefecer ligeiramente e espalhar por cima do creme. Com um garfo, de forma suave, desenhar ondas no chocolate.
Servir.

Nota: Conservar no frio depois de pronto.
Nota_1: Esta receita foi adaptada, ao nível das quantidades, para uma forma de 20x20x5 cm. A altura da forma é essencial para se conseguir as camadas desejadas.
Nota_2: O creme deve estar à temperatura ambiente quando se espalhar o chocolate por cima, para que este não seque rapidamente e dificulte ou até impossibilite o barramento e o desenho ondulado.






16/04/16

Hot Cross Buns









































Ainda que admita que sou muito pouco dada a sovar massas e esperar 7 horas e meia por levedações e afins. Ainda que assuma sem constrangimentos que tenho na minha máquina do pão uma grande amiga, a quem recorro frequentemente. E ainda que receie sempre a textura deste tipo de bolo lêvedo, nunca deixaria passar a 3ª edição do nosso Sweet World sem fazer o desafio proposto pela minha companheira de doces brincadeiras, a querida Lia. Uns jeitosos Hot Cross Buns.

É um tipo de bolinho que se afasta do que normalmente gosto de fazer e do que considero que puxa por mim. Mas se o desafio não é mesmo contrariar algumas destas preguiças e limitações, então qual é?
Desta feita, lá encaixei na agenda um tempinho para me dedicar a estes meninos, pois desta vez tinha de fazer tudo à séria. Com as mãos. Bem envolvido, bem amassado, bem levedado.

Relativamente ao enquadramento histórico dos Buns, que são um doce cheio de misticismo e carácter religioso, ligados à época da Páscoa, podem ler a óptima resenha que a Lia fez aqui.

Tenho de admitir que, depois de um ou outro susto e dúvidas que me assolaram durante o processo de execução, acabei por gostar imenso do resultado. Tanto visualmente como ao nível do sabor. A massa é leve, pouco doce e super aromática. Não se torna seca e, com esta receita em particular que leva maçã na massa, mais ligeira se mostra. Contudo, são melhores fresquinhos e fofinhos, comidos no próprio dia. No dia seguinte gostei mais torradinhos.

Fizeram as delícias dos homens da casa e fizeram-me feliz a mim, por ver que se quisermos conseguimos facilmente encarar desafios que normalmente nos afugentam, e vergar com sucesso umas simples e queridas bolinhas cruzadas, por exemplo.

Não vos desejo Boa Páscoa porque além de já não fazer sentido, estes buns combinam maravilhosamente com um qualquer lanchinho de fim de semana, com um qualquer pequeno almoço de dia de trabalho, ou, melhor ainda, com uma qualquer lancheira de escola. 
E é vê-los sorrir. 







































HOT CROSS BUNS
(Adaptada da receita Hot Cross Buns, do livro "How to Bake", do Paul Hollywood)

Ingredientes
(10 buns)

|Massa
500 gr de farinha (sem fermento)
10 gr de sal
75 gr de açúcar
10 gr de fermento de padeiro
40 gr de manteiga
2 ovos médios
120 ml de leite morno
120 ml de água fria
100 gr de pepitas de chocolate negro 
Raspa de laranja
Raspa de limão
1 maçã média, descascada e ralada
1 colher (sobremesa) de canela

|Cruz
75 gr de farinha
75 ml de água

|Glaze
1 colher (sopa) de doce de alperce
Água

Preparação

Num recipiente largo colocar a farinha. Acrescentar o sal e o açúcar num dos lados e o fermento no outro. Adicionar a manteiga, os ovos, o leite e metade da água e começar a envolver tudo delicadamente com os dedos. Ir adicionando a restante água aos pouco e envolvendo bem a massa até a farinha ficar totalmente absorvida e a massa começar a descolar das paredes. Quando estiver mais homogénea passa-la para uma superfície enfarinhada e amassar durante cerca de 5 minutos. (a massa fica bastante pegajosa e algo difícil de trabalhar nesta fase, pelo que, se pode recorrer à ajuda da farinha para facilitar).
Formar uma bola e colocar a massa dentro de um recipiente ligeiramente untado com óleo. Tapar bem tapado com um pano grosso ou uma toalha, e deixar levedar em local de temperatura amena e resguardado de correntes de ar, uma hora no mínimo (idealmente duas ou três), até que duplique o volume.
Passado este tempo voltar a colocar a massa numa superfície enfarinhada e juntar as pepitas de chocolate, as raspas dos citrinos e a maçã, e envolver bem sem precisar bater muito a massa. Coloca-la novamente no recipiente por mais 1 hora.
Ao fim deste tempo colocar novamente a massa na superfície enfarinhada e molda-la dando-lhe uma forma cilíndrica, de modo a poder-se cortar fatias que se moldarão em bolas.
Cortar em 10 fatias (a receita indicava 12) e arranjar a massa para ficar com forma de bolinho.
Dispor num tabuleiro de forno previamente forrado com papel vegetal, com um afastamento de cerca de 3 cm entre elas (ter atenção que a massa cresce durante a cozedura e elas juntam-se). Tapar o tabuleiro com um pano e deixar a levedar mais cerca de 1 hora (neste passo deixei apenas 20 minutos) até que os bolinhos aumentem de tamanho.
Pré-aquecer o forno a 220ºC.
Entretanto fazer a pasta para a cruz, juntando a água com a farinha e mexer muito bem até obter uma pasta homogénea. Colocar a pasta numa seringa ou saco de pasteleiro com bico fino e fazer uma cruz nos bolinhos.
Levar o tabuleiro ao forno cerca de 30 minutos ou até a massa estar bem douradinha.
Retirar do forno e, ainda quentes, pincelar com o doce de alperce diluído num fio ligeiro de água.
Servir morninhos.  

Nota: em relação à receita original substitui as passas pelas pepitas de chocolate, retirei a casca de laranja picada e introduzi casca de limão.
Note_1: é uma massa um pouco difícil de trabalhar, no sentido de se mostrar inicialmente bastante pegajosa, mas começando a repousar torna-se mais fácil.
Nota_2: não se assustem se a cruz desaparecer no início da cozedura, pois assim que a massa começar a dourar ela fica visível novamente. Para um efeito mais definido aconselho a carregar mais na quantidade de pasta.